"Esse assunto não foi discutido, e nem está sendo discutido, e muito menos aqui na bancada", afirmou Guimarães. "Essas matérias, para votar até 20 de dezembro. Se nós votarmos essas três grandes pautas, já nos daremos por satisfeitos", afirmou.
As três pautas citadas por Guimarães como prioridade são a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, a medida provisória do fim das bets e a PEC da tarifa zero do transporte público.
Questionado sobre a proposta do ministro da Fazenda, Dario Durigan , de medidas de ajuste fiscal, Guimarães disse que "esse assunto não foi discutido na bancada" e "nem no governo".
O mercado acordou em polvorosa na segunda (26), após a reeleição do presidente Lula (PT) para um quarto mandato . O dólar registrou a maior valorização diária desde 1999 e a bolsa de valores despencou 13,88%, a 176.608 pontos, na maior desvalorização diária desde 16 de março de 2020.
A magnitude do recuo da última segunda-feira fez com que a B3 acionasse o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020 .
O desempenho negativo dos ativos após o segundo turno refletiu a expectativa de um ajuste fiscal menos rigoroso sob um novo governo Lula. Para os investidores, a continuidade do petista na Presidência aumenta o temor de que não sejam adotadas medidas suficientes para ajustar as contas públicas.
A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando os juros futuros. Taxas mais altas, por sua vez, podem encarecer o crédito para as empresas e reduzir as perspectivas de lucro, pressionando o mercado acionário.
Durigan minimizou nesta terça (26) a possibilidade de que a reação represente uma desconfiança dos investidores em relação aos fundamentos da economia brasileira. Segundo ele, o movimento foi provocado principalmente pela necessidade de desfazer apostas financeiras realizadas antes da eleição.
"O mercado estava apostando numa vitória eleitoral", afirmou. "O presidente Lula em, uma vitória histórica, desbancou a expectativa do mercado e acho que o mercado troca agora de posições num dia."
O ministro da Fazenda também afirmou que se reuniu com Lula no fim da segunda-feira para apresentar um balanço da turbulência financeira e das medidas adotadas pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central. Segundo ele, o encontro tratou das oscilações da Bolsa, do câmbio e dos juros futuros, além da necessidade de o governo dar sinalizações sobre sua política econômica.
"Fui mostrando para o presidente o que estava acontecendo e quais foram as medidas que durante o dia Banco Central e Fazenda foram adotando. E, claro, sempre relembrando o presidente a necessidade da gente ter essa sinalização muito propositiva para o mercado e para o Congresso Nacional", disse.
Entre as medidas em preparação, o ministro destacou uma alteração legislativa para reforçar a obrigação de o governo perseguir o centro da meta fiscal, e não apenas o limite inferior da faixa de tolerância. A proposta, segundo Durigan, deverá ampliar os instrumentos de contingenciamento de despesas, de modo a adequar a execução orçamentária ao resultado fiscal estabelecido como meta.
Na reunião desta terça com a bancada do PT, Guimarães afirmou que o governo cobrará fidelidade dos partidos da base aliada que decidirem participar dos ministérios. "Vamos aprimorar a relação com o Congresso", disse. Ele acrescentou que a natureza da disputa eleitoral mostrou uma necessidade de aperfeiçoar essa relação a partir de agora, com "um governo de frente ampla".
"Os partidos de centro vão participar do governo? Defendo que sim. Mas não pode ser meia participação, tem que ser integral", comentou, destacando que não pode um partido com três ministérios ficar sistematicamente votando contra as propostas do governo.