Batizada de Merovingian, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados. O MP-SP não informou o número de mandados cumpridos, nem as cidades em que foram feitas as buscas. Também não disse quantos suspeitos são investigados, nem se algum deles foi preso.
De acordo com os advogados de Drauzio, a investigação começou após o médico ingressar com uma representação no MP-SP, em setembro de 2025, quando soube do uso de sua imagem e voz por meio de uma reportagem do UOL.
Segundo o Ministério Público, o grupo vende cursos que ensinam a produzir propagandas falsas para plataformas como Facebook e Instagram .
Também comercializa suplementos alimentares e substâncias medicinais sem aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ou que dependem de indicação médica. Os anúncios prometiam resultados milagrosos para diferentes problemas de saúde.
O escritório de advocacia Bottini & Tamasaukas, que representa o médico, diz não ter informações sobre o alcance dos anúncios ou o andamento da investigação, que corre sob sigilo, mas afirma que dados públicos dão a dimensão do problema.
A defesa menciona, por exemplo, um levantamento do NetLab , laboratório de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que coletou quase 170 mil anúncios sobre saúde nas plataformas da Meta em abril e maio de 2025.
De 6.579 peças analisadas pela equipe, 76% foram classificadas como fraudulentas. Drauzio foi a personalidade da área da saúde mais explorada, com sua imagem usada indevidamente em 21,9% dos anúncios fraudulentos analisados.
O escritório cita ainda relatos públicos, nas redes sociais, de pessoas que afirmam ter comprado produtos acreditando no que seria uma recomendação do médico e não os receberam.
O caso ocorre em meio a outras ações judiciais movidas por Drauzio Varella contra o uso indevido de sua imagem . De acordo com os advogados do médico, isso vem ocorrendo há anos, com ampla circulação no Facebook e no Instagram.
Em outubro, por exemplo, a 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo aumentou de R$ 10 mil para R$ 70 mil a indenização que o médico deve receber dos responsáveis por um curso online que ensinava a produzir anúncios falsos com seu rosto e sua voz.
Segundo a decisão, as aulas ensinavam a usar inteligência artificial para criar deepfakes (vídeos ou áudios manipulados para imitar pessoas reais) e simular recomendações médicas. O MP-SP não informou se há relação entre os casos.
Os advogados afirmam que o médico pretende adotar medidas mais amplas contra o uso de sua imagem, inclusive em relação às plataformas.
Em julho de 2025, dizem, Drauzio notificou extrajudicialmente a Meta para pedir remoção de anúncios e adoção de medidas preventivas. A empresa teria removido apenas os anúncios indicados individualmente, e conteúdos semelhantes continuaram circulando.
Ministério Público investiga grupo que usava imagem de Drauzio Varella para vender produtos de saúde
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou nesta quarta-feira (4) uma operação contra um grupo que usa imagens e vozes de pessoas famosas, entre elas o médico Drauzio Varella , para promover produtos de saúde em anúncios falsos nas redes sociais.