Desolado por não beijar ninguém na festa, ele conta que tomou coragem para se aproximar de Luciana Vargas Fraga, que tinha 21. A conversa terminou quando ela foi embora, mas João conseguiu pegar seu telefone.
"Peguei a estrelinha do PT no chão, que tenho até hoje, e anotei o número dela", lembra.
Quase quatro décadas depois, a política continua presente na vida do casal, que acompanhou junto a trajetória do petista.
Em 2003, foram à posse de Lula em Brasília, acompanhados da primeira filha, à época com 3 anos. Em 2018, assistiram pela televisão ao petista ser preso. "Foi também em um 7 de abril. Lembro de ter me emocionado por causa disso", diz João.
No último ato da campanha de Lula do segundo turno deste ano, eles compareceram à praia de Copacabana erguendo um cartaz que relembrava o primeiro encontro.
Embora nos últimos anos tenha gerado desentendimentos e afastamentos entre familiares e casais, a política também funciona como ponto de aproximação.
Para a psicanalista Fernanda Tavares, a polarização se consolidou em torno de posições rígidas, com perda de espaços de mediação e de convivência, em especial a partir dos anos 2010 –e de forma mais evidente nas eleições presidenciais de 2018 , disputadas por Fernando Haddad ( PT ) e Jair Bolsonaro ( PL ).
Na avaliação dela, o processo eleitoral mais recente sinaliza uma tentativa de retomada da vida em comum, o que também pode se manifestar na vida afetiva.
"Há uma abertura para conviver com as diferenças e para construir algo coletivamente a partir disso", afirma.
Militância une casais e faz da política ponte para novos relacionamentos
Era o final de noite do dia 7 de abril de 1989, quando João Roberto Lopes, à época com 22 anos, viu uma jovem que achou bonita durante a primeira festa de campanha de Lula à Presidência, no Circo Voador, no Rio de Janeiro .