Os Estados Unidos vêm trabalhando em estreita colaboração com o governo interino liderado pela líder em exercício Delcy Rodríguez desde que forças americanas capturaram o ditador Nicolás Maduro, em janeiro. Tanto o presidente dos EUA, Donald Trump , quanto Delcy, ex-vice de Maduro, afirmaram que haverá eleições, mas ainda não definiram uma data.
María Corina Machado , líder oposicionista e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, está fora do país há quase um ano, depois de passar um período escondida após a contestada eleição de 2024. Ela afirma que as eleições devem ocorrer até julho de 2027.
Seu movimento, o Vente Venezuela , organizou os protestos, realizados na capital, Caracas, e em outras cidades, incluindo Valência, Maracay, San Cristóbal e Maracaibo.
"Fico feliz de ver isso porque sei que a mudança é possível", disse a estudante de cosmetologia Leosmary Hernández, 18, enquanto se reunia com centenas de outras pessoas no norte de Maracay. "Passei por tantas dificuldades, tantos problemas por causa do dólar e dificuldades para estudar. Tenho muita esperança no meu país e em nosso próximo líder, a presidente María Corina."
"Já saí para protestar antes, quando as coisas eram muito mais difíceis, e hoje tenho ainda menos medo porque quero que minha voz seja ouvida", acrescentou, enquanto músicas tocavam e manifestantes agitavam bandeiras venezuelanas.
O regime, no poder desde 1999, primeiro sob o falecido Hugo Chávez e depois sob Maduro, já mobilizou forças de segurança contra manifestantes que denunciavam repressão política, inflação descontrolada, precariedade dos serviços públicos e outros problemas no país, economicamente devastado, inclusive após a eleição presidencial de 2024.
As forças de segurança tiveram presença mínima nos locais de protesto nesta quinta-feira e, em muitas cidades menores, os manifestantes se dispersaram antes do anoitecer.
O Partido Socialista governista convocou seus apoiadores para uma marcha a partir da Plaza Venezuela, em Caracas, o mesmo local onde a oposição planejava se reunir duas horas mais tarde. O ato oficial seguiu até uma área próxima ao palácio presidencial e teve como objetivo marcar o Mês de Conscientização sobre o Câncer de Mama.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, conhecido por seus estreitos vínculos com as forças de segurança, apareceu na televisão estatal participando da marcha, enquanto os opositores transferiram seu protesto para um local próximo.
As negociações apoiadas pelos EUA entre uma ala da oposição e o governo interino, destinadas a reformular a Suprema Corte e o conselho eleitoral com o objetivo de garantir eleições justas no futuro, tiveram sua mais recente rodada neste mês. As mudanças, porém, podem levar um tempo significativo. As negociações não incluem o movimento político de María Corina, embora ela tenha afirmado que não pretende impedir o avanço das conversas.
O candidato apoiado por María Corina venceu amplamente a eleição de 2024, segundo as atas de votação divulgadas pela oposição. O governo, que nunca apresentou a contagem completa dos votos, apoiou Maduro, assim como fizeram as instituições judiciais e eleitorais do país.
"Queremos eleições presidenciais agora. Queremos que um calendário eleitoral seja anunciado agora. Não vamos esperar até 2028", disse Maria Debora Marín, 57, dona de uma loja de roupas no centro de Valência, referindo-se a rumores de que as eleições só poderiam ocorrer no ano seguinte. "O que queremos é seguir em frente e finalmente sair desse pesadelo."