Os atos ocorrem em um ambiente de tensão. O governo francês anunciou a mobilização de 70 mil militares para conter possíveis atos de violência em todo o país. O efetivo será reforçado por veículos blindados, caminhões com canhões de água, helicópteros e drones, numa operação de segurança que busca evitar a repetição dos distúrbios registrados no fim de semana anterior.
O contingente foi anunciado na sexta (23) pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez. "Seremos inflexíveis", afirmou ele, mencionando supostas convocações nas redes sociais para novos atos de violência e saques. Segundo o ministro, grupos de extrema esquerda estariam incentivando ações contra prédios públicos e outros episódios de desordem.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu , afirmou que o nível de ameaça permanece alto. Segundo ele, as autoridades estão atentas à atuação de grupos de extrema esquerda e de criminosos que podem aproveitar os protestos para cometer furtos. "É preciso manter a vigilância em relação à criminalidade, porque ela se aproveita desses distúrbios para gerar mais confusão e roubar", disse.
O premiê afirmou, porém, que as forças de segurança ajustaram a estratégia com base na experiência dos confrontos de 17 de outubro, quando manifestações terminaram em episódios de violência. Segundo ele, as mudanças incluem a maneira como os agentes serão distribuídos e empregados nas operações.
Lecornu também prometeu uma operação de segurança maciça para este sábado. O esquema inclui cerca de 20 veículos blindados da gendarmeria (a força militar de segurança interna), 15 caminhões com canhões de água e unidades de elite das forças de segurança, mobilizadas para proteger prédios públicos e outros locais considerados estratégicos.
Também serão empregados policiais em formação e agentes que estavam de licença, além de unidades montadas e equipes especializadas em neutralizar drones. Helicópteros darão apoio às operações.
O presidente Emmanuel Macron determinou a proibição de manifestações que não tenham sido convocadas por organizadores considerados legítimos pelas autoridades , como os sindicatos. Os responsáveis locais pela segurança podem vetar atos por decreto ou impor mudanças de trajeto.
Em Paris e Marselha , foram autorizadas manifestações organizadas por centrais sindicais. Em Lyon, uma marcha foi proibida. A principal central estudantil francesa, a Unef, e o movimento dos Coletes Amarelos também tiveram pedidos de manifestação rejeitados na capital do país.
Toques de recolher continuam em vigor, à noite, em áreas consideradas sensíveis, e as autoridades também proibiram o transporte de artefatos pirotécnicos e combustíveis.