Mas os olhos de Michael Douglas continuam como sempre foram: azuis e próximos um do outro, com o olhar penetrante que ele imprimiu à sua frase mais famosa —"A ganância é boa"—, como Gordon Gekko em "Wall Street: Poder e Cobiça".
Outrora símbolo dos excessos dos anos 1980, Douglas, de 82 anos, voltou às raízes hippies —ao menos ideologicamente.
"Obsessões não são saudáveis. Precisamos reavivar uma filosofia baseada em tentar ajudar uns aos outros", disse ele, inclinando-se para a frente como se quisesse enfatizar a ideia. "Treine-se para ajudar os outros."
Estávamos no Estiatorio Milos , um enorme restaurante grego no centro de Manhattan, para conversar sobre o livro de memórias de Douglas, " One Helluva Ride ", que foi lançado em outubro.
O restaurante ainda não havia aberto para almoço, mas os garçons circulavam atarefados, reabastecendo nossos copos d’água em intervalos cuidadosos, e Douglas foi educado, quase cavalheiresco, com cada um deles. Isso pode parecer o mínimo, mas diz algo sobre uma pessoa.
"Trabalhei para cacete durante 55 anos", disse Douglas, lançando um olhar orgulhoso para seu livro de 496 páginas, que ocupava uma cadeira própria à nossa mesa. "Isto é uma espécie de culminação."