Meteorito lunar descoberto no Chile entra para a história da ciência

Um pequeno fragmento de apenas 12 gramas acaba de entrar para a história da ciência na América do Sul. Encontrado no deserto do Atacama, no Chile, o meteorito Calama 957 foi oficialmente reconhecido como uma rocha de origem lunar. Segundo o

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Meteorito lunar descoberto no Chile entra para a história da ciência

Um pequeno fragmento de apenas 12 gramas acaba de entrar para a história da ciência na América do Sul. Encontrado no deserto do Atacama, no Chile, o meteorito Calama 957 foi oficialmente reconhecido como uma rocha de origem lunar. Segundo o registro do Meteoritical Bulletin, trata-se do primeiro meteorito lunar encontrado no continente.

A descoberta ocorreu em 19 de maio de 2026, na região de Antofagasta, no norte do Chile. A pedra foi localizada por Mikhail Nepomiluev e Ilya Kriachko durante uma expedição de busca por meteoritos organizada por Juan Pablo Pizarro e Timur Kriachko.

O objeto foi classificado como uma brecha de fusão de impacto feldspática lunar. A aprovação oficial ocorreu na terça-feira (3), após análises conduzidas por L.A. Lakhmanova, pesquisadora vinculada ao Instituto Vernadsky de Geoquímica e Química Analítica, na Rússia.

De acordo com a descrição publicada no catálogo, o Calama 957 é uma única pedra de coloração cinza-escura, sem crosta de fusão e com sinais moderados de desgaste. Uma amostra de 2,4 gramas, acompanhada de duas lâminas petrográficas polidas, foi destinada à coleção do instituto russo.

Como uma rocha da Lua foi parar no Chile?

• Meteoritos lunares são fragmentos da superfície da Lua lançados ao espaço após colisões com asteroides ou outros corpos celestes;

• Dependendo da intensidade do impacto, parte do material consegue escapar da gravidade lunar e entrar em uma trajetória que eventualmente o leva até a Terra;

• Ao atravessar a atmosfera terrestre, esses fragmentos podem sobreviver ao aquecimento e atingir o solo. A maioria dos meteoritos lunares conhecidos foi encontrada em regiões desérticas, na Antártida e em outros ambientes que favorecem sua preservação e identificação;

• O reconhecimento da origem lunar depende de análises laboratoriais. No caso do Calama 957, os pesquisadores identificaram uma combinação de fragmentos minerais e rochosos característica de materiais da crosta lunar.

Calama 957 é uma única pedra de coloração cinza-escura, sem crosta de fusão e com sinais moderados de desgaste – Imagem: L.A. Lakhmanova

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O que existe dentro do meteorito?

A análise petrográfica revelou que o fragmento é formado por diferentes tipos de rochas e minerais incorporados a uma matriz de material fundido por impactos.

Entre os componentes identificados estão anortositos, rochas de composição basáltica, espinélio-troctolito e dunito. Também foram encontrados minerais, como espinélio rosa, cromita e apatita.

A classificação como brecha de fusão de impacto está relacionada justamente a esse processo: colisões de alta energia quebram rochas, derretem parte do material e misturam os fragmentos em uma matriz que posteriormente esfria e se solidifica.

Esse tipo de formação é comum na superfície lunar, constantemente modificada por impactos ao longo de bilhões de anos.

Embora pese apenas 12 gramas, o Calama 957 representa um achado importante para a coleção de materiais extraterrestres encontrados na América do Sul e oferece mais uma oportunidade de estudar a composição geológica da Lua.