As conclusões foram apresentadas pelas big techs após Kassio cobrar, a pedido da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ( PL ), um relatório detalhado em até 24 horas sobre as atividades do grupo administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
O canal alcançou dez milhões de participantes nesta sexta.
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Em uma lista extensa, o ministro do TSE determinou que a Meta explicasse quais critérios usa para diferenciar "mobilização legítima" e "comportamento coordenado potencialmente irregular", além de cobrar uma análise dos padrões de engajamento e de distribuição dos conteúdos do grupo.
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro afirmou que ordens de hashtags em horário marcado, comentários ditados e textos prontos enviados por Janones no grupo para serem cumpridos como "missões" em outras redes sociais, como no Instagram, indicam uma coordenação em rede. Cita, por exemplo, a orientação do deputado para os participantes do canal pesquisarem no Google "Bolsonaro mandou matar Lula".
Sob reserva, Kassio tem dito que o primeiro passo, em situações do tipo, é o pedido de informações às empresas, para ter mais garantias sobre a autenticidade dos conteúdos para uma decisão bem embasada. Ele afirma a interlocutores que eventual atuação apenas ocorreria se houvesse indicação de material inautêntico.
A Meta fez uma análise preliminar do canal e de conteúdos do Instagram, mas destacou que há outras publicações pendentes de verificação, que estão em um pen drive entregue nesta tarde pelos advogados do candidato bolsonarista, que disputará o segundo turno com o presidente Lula ( PT ) no domingo (25).
A empresa também reclamou do prazo classificado como curto "diante da extensão e da complexidade técnica" do que o presidente do TSE pediu. "Tratam-se de doze alíneas que abrangem três serviços distintos (Instagram, Facebook e Threads, de um lado, e WhatsApp e Canais, de outro) e dependem de extrações, revisões e validações internas que não se completam nesse intervalo", disse.
Por esses motivos, a empresa pediu ao ministro mais cinco dias para apresentar uma resposta complementar.
Já o X disse ter localizado atuação coordenada no uso das hashtags e do termo indicados pelo deputado no canal, mas afirmou que isso foi feito predominantemente por usuários autênticos –o que, segundo a plataforma de Elon Musk, não é proibido pela sua política.
"Dentre a pequena parcela de contas cujas publicações apresentaram indícios de comportamento inautêntico (3%), 12.454 contas foram suspensas, e 398 contas foram submetidas a desafio de reverificação por telefone das ações adotadas e aqueles que entendam que a plataforma cometeu um erro podem recorrer da decisão, pelo link informado na notificação e disponível publicamente", afirmou.
O Google, por sua vez, declarou que verificações técnicas internas não identificaram sinais de ameaça cibernética, tráfego automatizado ou outras irregularidades. "O dado é relevante porque reforça a distinção entre mobilização humana coordenada — que reflete pesquisas feitas por usuários reais — e manipulação artificial por meios automatizados."
Em sua resposta, a Meta também disse que a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE já concluiu que seu plano de conformidade atende aos requisitos da corte e que dois processos com o mesmo objetivo poderiam resultar em decisões conflitantes –citando o que alegou o corregedor-geral, Ricardo Villas Bôas Cueva.
Anteriormente Villas Bôas Cueva já deu decisão para manter o funcionamento do "Exército do Janones". Nesta sexta-feira, o ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques atendeu a pedido da campanha do presidente Lula e barrou uma eventual suspensão do canal por meio de decisão administrativa do presidente da corte eleitoral.
O canal "Exército do Lula" é um dos principais artifícios da base petista para mobilizar apoiadores na campanha de reeleição de Lula, com Janones distribuindo "missões" como aumentar o número de seguidores e engajar nas curtidas e nos compartilhamentos de publicações nas redes sociais.
Desde que o deputado decidiu auxiliar a campanha de Lula para aumentar a presença digital do presidente nas redes sociais, o canal se tornou um alvo da campanha de Flávio, que contestou a licitude da ferramenta em várias frentes.