Nesta segunda (26), logo depois de Lula vencer as eleições, o mercado acionário brasileiro abriu em forte queda e a Bolsa de Valores precisou acionar o circuit breaker , recurso que interrompe as negociações dos ativos devido a uma queda superior a 10% do Ibovespa, principal índice da B3. A última vez que o mecanismo foi acionado foi no início da pandemia de Covid-19.
A reação dos investidores já era esperada pelo Goldman Sachs, segundo relatório assinado pelos analistas Alberto Ramos e Panteleymon Semka. Eles esperam, no máximo, medidas modestas do governo Lula para fazer frente ao aumento dos gastos, que colocam a dívida pública em ritmo de risco para a solvência do país. Também acreditam que haverá novas altas na carga tributária do país.
O time de análise do banco, porém, recomenda atenção às sinalizações quanto ao ajuste fiscal e à composição dos ministérios, principalmente em relação à pasta da Fazenda, para que se faça conclusões mais firmes a esse respeito. Eles dizem que a escolha do futuro ministro da Fazenda será o principal componente de volatilidade para o mercado daqui para frente.
Mesmo nesse cenário incerto, os analistas continuam enxergando oportunidades no Brasil para os investimentos. Em primeiro lugar, com os conflitos geopolíticos elevando os preços das commodities , o país deve se beneficiar no médio prazo, em um momento em que a produção de petróleo e gás cresce de "forma constante" no território nacional.
Além disso, no setor do agronegócio, eles afirmam que o Brasil possui um "padrão mundial", sendo altamente competitivo e atualmente em expansão. Ramos e Semka também continuam vendo potencial substancial do país em energia verde, minerais críticos e terras raras.