Mercado pode ampliar importação de anidro em 2027

Estoques menores, maior consumo de gasolina e custos internos em alta podem tornar o etanol dos EUA competitivo no Brasil durante a entressafra.

Por Admin ·

Mercado pode ampliar importação de anidro em 2027

A compra de etanol anidro dos Estados Unidos pode voltar a ganhar espaço no Brasil entre janeiro e março de 2027. A projeção considera a possível alta do custo do produto nacional durante a entressafra da cana e uma melhora na competitividade do biocombustível norte-americano, especialmente nas operações pelo porto de Suape, em Pernambuco.

Segundo Letícia Corrêa, analista de Açúcar, Etanol e Energia, os custos do produto brasileiro e do importado devem ficar praticamente alinhados em dezembro. Para janeiro, a estimativa aponta vantagem de cerca de 370 pontos para o etanol dos EUA. A realização desse cenário ainda dependerá do câmbio, das cotações internas e das despesas com transporte marítimo.

O abastecimento doméstico entra no radar porque os estoques de etanol anidro no Centro-Sul chegaram a 2,8 bilhões de litros no fechamento de setembro, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária. O volume ficou 13% abaixo do registrado na safra anterior. Em Ribeirão Preto (SP), o prêmio do anidro alcançou média de 17,3% em outubro.

Também houve avanço de 4,3% nas vendas de gasolina C no Centro-Sul, enquanto o percentual obrigatório de anidro na gasolina passou a 32%, no padrão E32. Algumas distribuidoras demonstraram preocupação com o abastecimento dos meses seguintes. A analista, porém, não identifica atualmente sinais de uma falta generalizada do biocombustível.

Na safra 2026/27, a produção brasileira atingiu 25,29 bilhões de litros até o começo de outubro, alta aproximada de 9% sobre o mesmo período do ciclo anterior. Mesmo com a oferta maior, as exportações recuaram 17%, para 1,032 bilhão de litros, e as importações somaram aproximadamente 378 milhões de litros no acumulado de 2026.

O período mais favorável às compras externas ocorreu em janeiro e fevereiro. O país recebeu 213,3 milhões de litros nesses dois meses, o dobro do volume importado no mesmo intervalo de 2025. Na ocasião, o produto norte-americano chegava ao Nordeste abaixo do preço nacional, mesmo com frete e imposto de importação de 18%.

A partir de março, o aumento do custo do transporte marítimo, associado à queda sazonal dos preços domésticos com o avanço da safra, tirou força da importação. Atualmente, a comparação entre os custos do produto estrangeiro e o preço nacional é desfavorável às compras externas em Suape e Santos (SP).

Os Estados Unidos responderam por 254,7 milhões de litros das importações brasileiras em 2026, o equivalente a 67,3% do total. Um ano antes, a participação era de 52,2%. As compras se concentram quase totalmente no etanol combustível, sobretudo o anidro destinado à mistura com a gasolina; no Brasil, a produção tem participação expressiva do hidratado vendido diretamente nos postos.

Nas exportações, o recuo ficou concentrado no etanol industrial, cujos embarques diminuíram 34,1%. A redução acompanhou a queda de 44,9% nas aquisições da Coreia do Sul, principal destino do produto brasileiro. Os Estados Unidos também compraram 59% menos etanol do Brasil. Já as exportações de etanol combustível cresceram 31,7% no acumulado do ano.

Santos continuou como o principal terminal de saída, com aproximadamente 79% das exportações brasileiras em 2026, contra 92% em 2025. O volume embarcado pelo porto caiu 29,3%. Paranaguá (PR) mais que dobrou os embarques e elevou sua participação de cerca de 7% para 21%.

A retomada das importações no início de 2027 dependerá da combinação entre fretes marítimos estáveis, encarecimento do etanol brasileiro e redução do preço norte-americano. Se a paridade se tornar favorável, Suape deverá concentrar novamente parte dos desembarques durante a entressafra.