23/10/2026 03h30 Atualizado 23/10/2026 03h30
Os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam nesta sexta-feira ao debate da TV Globo, o segundo e último da campanha, com uma disposição maior para discutir o futuro do país, mas sem abdicar do enfrentamento político quando for necessário. Após um encontro considerado pobre e recheado de ataques, no último domingo, a avaliação de pessoas ligadas às duas campanhas é que o tom será diferente.
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Na quinta-feira, Lula iniciou a preparação para não responder a provocações durante o encontro e detalhar projetos para um eventual quarto mandato. O petista reservou a quinta e a sexta-feira para se preparar para o embate com o presidenciável do PL. Já Flávio chega ao último debate com a orientação de reduzir as provocações, que marcaram o encontro na Band, e responder mais diretamente às perguntas, além de dedicar um espaço maior à apresentação de propostas.
A preparação do senador, conduzida pelo marqueteiro Duda Lima, contou com o reforço do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e deixou de fora o influenciador Pablo Marçal, cuja participação nos treinamentos anteriores havia provocado mal-estar na equipe.
O senador também terá de abandonar a estratégia de se aproximar fisicamente do adversário enquanto ele fala. Isso porque, após acordo entre as campanhas, a TV Globo estabeleceu restrições à circulação pelo estúdio.
Durante o debate da Band, Flávio caminhou atrás de Lula enquanto o presidente respondia às perguntas, balançou a cabeça em sinal de reprovação e reagiu às declarações do petista.
A avaliação interna é que o candidato do PL gastou tempo demais provocando Lula e deixou de responder diretamente a algumas perguntas. Lima passou a cobrar intervenções mais curtas e maior espaço para ações de governo, sobretudo nas áreas de segurança pública, economia e programas sociais. A intenção é que Flávio consiga falar também aos eleitores indecisos, sem concentrar sua atuação apenas na mobilização dos apoiadores que já pretendem votar nele.
Foi nesse contexto que Tarcísio passou a integrar a preparação. O governador participou dos treinamentos em Brasília para ajudar principalmente nas respostas sobre economia e administração pública. A equipe pretende aproveitar dados e experiências de programas do governo paulista que Flávio apresenta como referências para uma eventual gestão federal. Os ensaios continuam no Rio de Janeiro, nesta sexta, antes do confronto.
No debate, Flávio deverá insistir que pretende manter e reajustar o Bolsa Família e defender mecanismos para que beneficiários que consigam emprego ou abram um negócio não percam imediatamente os pagamentos. A equipe também preparou respostas para questionamentos sobre investigações envolvendo o senador, diante da expectativa de que Lula explore assuntos como o financiamento do filme “Dark Horse” e sua relação com o advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito que o candidato do PL por suspeitas de lavagem de dinheiro. Na ofensiva contra o presidente, o senador pretende explorar suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger.
A abertura dos sigilos bancários e telefônicos também entrou na preparação. O desafio foi lançado por Lula no debate da Band, após uma troca de acusações de corrupção, e levou as duas campanhas a apresentar condições para a divulgação dos dados. Na quinta-feira, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), respondeu a pedido sobre o assunto e disse que não cabe à Justiça Eleitoral divulgar os dados, e que a iniciativa teria que ser levada adiante pelos próprios candidatos.
A campanha quer mostrar um "Lula calmo e à vontade" nos estúdios Globo, diante de um candidato considerado despreparado pelos petistas. A preparação de Lula é comandada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, mas o petista tem tido conversas com conselheiros e aliados para composição da preparação.
Estrategistas da campanha treinam Lula para que ele use o tempo para explicar o que ele fez como presidente e detalhe que vai fazer mais, evitando responder a alfinetadas e ironias de Flávio. O petista está sendo preparado para mostrar quem entregou mais ao país, sem estimular um clima de bate-boca.
Aliados têm defendido que Lula também faça cobranças sobre as relações de Flávio com milicianos e com seu amigo Willer Tomaz. Pessoas próximas, no entanto, afirmam que o presidente tem dificuldade de “fulanizar” suas colocações e tem preferência por focar em seu adversário direto.
Na hipótese de voltar a ser questionado sobre Luchsinger, deve afirmar que sua atuação está sendo investigada pela PF, sem entrar em detalhes.
O debate da TV Globo terá restrição de movimentação dos candidatos, o que deve evitar que Flávio fique atrás de Lula na câmera, gesto que irritou a campanha petista no debate da Band, no último domingo. Lula está sendo treinado para falar especialmente atrás do púlpito e com movimentação apenas no quarto bloco, quando haverá espaço para tema livre. Só poderá se movimentar pelo estúdio quem estiver com a palavra.
— Lula vai ficar no púlpito se necessário. Essa estratégia da extrema direita (de ficar atrás do candidato) é usada no mundo inteiro e não vai acontecer neste debate (TV Globo) — afirmou Sidônio na quarta-feira.
Lula contará mais uma vez no treinamento para os debates com o auxílio da jornalista Olga Curado, preparadora de candidatos que mistura princípios do aikido (arte marcial japonesa), psicologia Gestalt, budismo e meditação.
Buscar o bom desempenho de Lula no debate da TV Globo integra a estratégia final da campanha para tentar uma virada. O foco é em ampliar a rejeição do candidato do PL, comparar projetos e apontar os riscos do retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto.
Mediado pelo jornalista César Tralli, o debate da TV Globo terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. Três blocos são de temas determinados e um, de tema livre.
No primeiro bloco serão realizadas seis rodadas com assuntos relacionados às diferentes regiões do país e a um tema prioritário de âmbito nacional, de forma a aprofundar a exposição de propostas e programas de governo de cada um dos candidatos. Cada candidato terá três minutos por rodada, divididos entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica.
No segundo e no terceiro blocos, os candidatos escolherão entre os temas apresentados no telão para fazer as suas perguntas, mantendo a mesma dinâmica de tempo. Nestes três primeiros blocos, o candidato que tiver a palavra poderá se movimentar pelo cenário livremente. Enquanto isso, o oponente deve se manter em seu púlpito até chegar sua vez de falar. No quarto bloco, de tema livre, cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções. E poderá se movimentar livremente pelo seu lado do cenário.
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A sede da Dataprev, Edifício Waldir Pires, em Botafogo (Rio de Janeiro), será leiloada em 30/10/2026, às 11h, com lance inicial de R$ 138,78 milhões. O imóvel de 22.782,93 m2, com 20 pavimentos, será vendido em duas parcelas, com escritura prevista em até 90 dias.
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Este quiz foi produzido pelo projeto Irineu, a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.