Impulsionada por um foguete H3 da Mitsubishi Heavy Industries, lançado do Centro Espacial de Tanegashima, a sonda (cujo nome é um acrônimo de Martian Moons eXploration, ou exploração das luas marcianas) se separou do lançador 71 minutos após a decolagem, iniciando uma jornada de cerca de dez meses até as imediações do planeta vermelho.
As luas de Marte são bem mais modestas que a da Terra, e há muita controvérsia sobre sua origem. É possível que sejam apenas asteroides capturados pela gravidade marciana. Alternativamente, poderiam ter tido origem em impactos antigos em Marte, a exemplo do que aconteceu aqui para formar a nossa Lua , 4,5 bilhões de anos atrás. As respostas estão lá fora, e a MMX pretende ir lá buscá-las.
A missão conta com participação estrangeira. A ESA, agência espacial europeia, fornecerá infraestrutura para a comunicação com a sonda. O Cnes, agência francesa, forneceu um espectrômetro, e o rover Idefix (referência ao cãozinho Ideiafix, dos quadrinhos de Asterix), este em parceria com o DLR, agência alemã. A Nasa, dos Estados Unidos , também forneceu um espectrômetro para a sonda.
A partir de setembro do ano que vem, a sonda japonesa vai acompanhar de perto Fobos, seu principal alvo, numa órbita meio esquisita ao redor de Marte (chamada de órbita quase-satélite). Depois, fará também um sobrevoo para observação detalhada de Deimos, a menor e mais afastada das luas. Ambas foram descobertas juntas pelo astrônomo Asaph Hall, em 1877, e receberam seus nomes da mitologia grega. Fobos e Deimos (Medo e Terror) são irmãos gêmeos filhos do deus da guerra Ares, equivalente ao romano Marte.
Entre a investigação de Fobos e de Deimos, vem o mais emocionante. A MMX tentará realizar dois pousos na maior das luas: um de um pequeno rover desenvolvido para perambular pela superfície sob sua fraca gravidade. Outro, da própria espaçonave, que então fará uma coleta de amostras, armazenando poeira da superfície e um núcleo de rocha obtido com perfuração. É um cadinho só, dez gramas ao todo, mas material valiosíssimo, pois será trazido de volta à Terra para estudo.
A partida da MMX das imediações de Marte para esse retorno deve ocorrer em 2030, e a chegada à Terra, em 2031, quando uma cápsula fará a reentrada atmosférica e pousará no deserto australiano com o precioso conteúdo –que pode incluir também uns farelinhos de Marte, ejetados por impactos ao planeta antes de repousarem na lua vizinha.
É uma missão superdesafiadora, concebida a um custo de US$ 458 milhões, e não há garantia de sucesso. Mas a Jaxa, agência espacial japonesa, tem larga experiência para realizar o feito. Afinal, ela foi a responsável pelas missões Hayabusa e Hayabusa2, que trouxeram as primeiras amostras de asteroides à Terra. E Fobos se parece muito com um asteroide, mas com a complicação adicional de estar bem dentro do poço gravitacional de um planeta. Será empolgante acompanhar cada passo dessa jornada que agora se inicia.
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