Dezenas de milhões de pacientes agora usam esses medicamentos, que às vezes podem causar sintomas semelhantes aos efeitos da anorexia: queda de cabelo, tontura, problemas gastrointestinais e déficits calóricos extremos.
"Diante disso, é anorexia?", diz Katherine Kiley, médica de família e do esporte em Long Beach, Califórnia . "É uma alimentação desordenada? Ou é apenas um efeito colateral do medicamento?"
Citando uma "necessidade urgente" de orientações, uma coalizão internacional de especialistas em medicina da obesidade , profissionais que tratam transtornos alimentares e outros especialistas divulgaram recentemente novas recomendações sobre a prescrição de GLP-1, chamados popularmente de canetas emagrecedoras , e os transtornos alimentares.
Entre as sugestões aos médicos: avaliar todos os pacientes em busca de sinais de transtornos alimentares antes de iniciar um GLP-1 e monitorar rotineiramente quem usa esses medicamentos.
Nenhuma dessas medidas é hoje uma prática padrão. A maioria dos médicos tampouco é treinada para reconhecer sinais de alimentação desordenada, o que pode limitar o alcance das novas recomendações.
Para complicar ainda mais a situação, muitas pessoas obtêm os medicamentos por meio de serviços de telemedicina, com pouca ou nenhuma supervisão profissional.
Em um estudo recente, pesquisadores que tentaram comprar medicamentos para perda de peso em 49 sites constataram que apenas cerca de um terço exigia interação direta com um profissional de saúde antes da prescrição e que somente aproximadamente metade perguntava sobre transtornos alimentares.
"Começamos a prescrever um medicamento muito, muito sério sem conhecer plenamente todos os impactos que ele terá", diz Vanessa Longley, CEO da Beat, organização britânica sem fins lucrativos que mantém uma linha de apoio para pessoas com transtornos alimentares.
Há poucos dados sobre a frequência da anorexia entre pessoas que usam medicamentos para perda de peso. Mas um estudo recente que analisou o uso de GLP-1 entre pessoas sem necessidade médica aparente constatou que a frequência de transtornos alimentares nesse grupo era seis vezes maior do que na população em geral.