Os dois se encontraram durante um coquetel oferecido às delegações no aquário da cidade e combinaram uma reunião bilateral antes da cúpula do G20 , prevista para meados de dezembro, na Flórida. Segundo o Itamaraty , Vieira e Rubio pretendem aproveitar o encontro para discutir a agenda bilateral entre Brasil e EUA. A data e o local da reunião ainda serão definidos.
A conversa ocorre em meio às tensões diplomáticas provocadas pelas declarações do presidente Donald Trump sobre a eleição brasileira e pela concessão de vistos a Flávio Bolsonaro e seus familiares.
Os chanceleres não abordaram questões específicas durante o breve encontro em Atlanta, de acordo com o Itamaraty. Apesar das críticas do presidente Donald Trump as eleições brasileiras, o secretário de Estado, Marco Rubio, não comentou sobre a reeleição do presidente Lula (PT).
Neste ano, Rubio já criticou o presidente brasileiro e culpou o ego do petista pelo fato de os Estados Unidos terem tarifado em 25% os produtos brasileiros no meio do ano.
Como a coluna Painel mostrou, durante o evento que acontece nesta sexta e sábado (31), o ministro brasileiro recebeu cumprimentos de ao menos dez chanceleres no G20, entre eles representantes de Turquia, China, União Europeia, Alemanha, França, Canadá, México, Índia, Reino Unido e Polônia.
Nos Estados Unidos, a situação é diferente. Na quinta-feira (29), o republicano disse que pretende conversar com Lula, criticou, pela quinta vez, a votação brasileira. "Vou conversar com ele, mas acho que a eleição foi uma vergonha no Brasil", afirmou, ao ser questionado sobre a possibilidade de telefonar para o petista e parabenizá-lo pela vitória.
Perguntado sobre quem considera o vencedor legítimo da eleição, Trump evitou responder diretamente. "Não quero comentar, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro", declarou.
O presidente americano também tem criticado a ampliação do horário de votação no segundo turno, medida que se tornou um dos principais argumentos de aliados de Flávio para questionar o resultado das urnas.
Na terça-feira (27), uma autoridade do Departamento de Estado confirmou à Folha que os Estados Unidos concederiam vistos ao senador e a seus familiares. No dia seguinte, Trump afirmou que aprovaria a entrada do brasileiro no país e disse considerar os integrantes da família Bolsonaro "pessoas decentes".