Foi a primeira vez que Corina se pronunciou publicamente a respeito de Betancourt, que há pouco tempo fechou um acordo lucrativo com o governo Trump para controlar cerca de um quinto das reservas petrolíferas da Venezuela .
O pacto colocou Betancourt, empresário rico que é alvo de investigações por corrupção, no centro da estratégia de Washington para a Venezuela e da transformação do país em um verdadeiro Estado vassalo por parte da administração Trump.
A conversa com Corina foi realizada depois de meses em que o governo dos Estados Unidos a manteve a distância — dando preferência a uma autocrata, Delcy Rodríguez , para liderar a nação a partir de janeiro e selando acordos a portas fechadas com figuras controversas como Betancourt.
Este, conforme revelou um auditor independente venezuelano do setor de energia, fez fortuna por meio de contratos sem licitação para usinas de energia, que envolveram superfaturamento de entidades estatais.
Ex-deputada que lidera a oposição há três anos, Corina não teve permissão para voltar ao seu país , mesmo com o controle enorme de Washington sobre a Venezuela e as declarações repetidas de Marco Rubio , secretário de Estado, de que o objetivo final é uma transição democrática.
Na entrevista para esta reportagem, concedida no Panamá , onde está hospedada temporariamente, Corina declarou que os EUA não a incluíram nas negociações em andamento em Caracas entre o regime venezuelano e um grupo de oposição diferente do de Corina.
Ela se recusou a falar sobre sua relação atual com Rubio, a quem conhece há anos, ou a revelar se eles haviam conversado recentemente.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o partido de Corina tinha sido convidado para participar das negociações em Caracas , acrescentando: "Os EUA não facilitam o retorno de figuras da oposição. María Corina tem todo o direito de entrar em sua nação sempre que quiser voltar".