Se eleições não tinham data prevista no plano de Washington, agora há indicações de que elas ocorram em meados de 2027.
Sob a tutela americana desde janeiro, o governo interino de Delcy Rodríguez vê-se pressionado por protestos a favor dos pleitos, como o capitaneado na quinta (22) pelo Vente Venezuela, partido fundado e liderado por María Corina. Mas, segundo a visão inicial dos Estados Unidos , as votações deveriam se dar após a estabilização econômica.
O regresso da ex-deputada três dias após a manifestação não só intensifica essa reivindicação como coloca María Corina na disputa pela pré-candidatura da oposição. Ademais, forçaria o ingresso do Vente Venezuela nas negociações, apoiadas por Washington, entre o Palácio Miraflores e as legendas oposicionistas sobre as regras das instituições eleitorais.
Se María Corina foi exitosa nesta oitava tentativa de retorno ao país, isso se deve à participação da Casa Branca. Diante da Justiça bolivariana, ela continua sujeita às acusações de traição à pátria , formuladas depois das eleições fraudadas por Maduro, em 2024, que a levaram à clandestinidade.
Embora Trump elogie o desempenho de Rodríguez, uma bolivariana histórica, e até sugira a incorporação da Venezuela como 51º Estado americano, sua diplomacia compreende ser impossível esboçar a transição sem a presença de María Corina. Até agora, porém, a decisão de mantê-la longe de Caracas mostrou-se eficaz aos interesses americanos.
Rodríguez e seus aliados, mantidos no poder em vez de condenados por atuação no regime, submeteram-se aos ditames de Trump. Em especial, concordaram com o acesso dos EUA a 21,4% das reservas estimadas de petróleo da Venezuela.
Por mais que tenha se mostrado alinhada aos EUA na última década, María Corina não garante passividade à Casa Branca. Em entrevista ao The New York Times, criticou os termos do acordo petroleiro e indicou que, se eleita, só os contratos alinhados à legislação serão respeitados.
María Corina é a voz mais popular da oposição. Não é, contudo, a única nem a mais resistente a Trump. Espera-se de seu retorno uma contribuição efetiva para a realização de eleições justas, mas também para a restauração da soberania da Venezuela e o fim de sua vassalagem aos EUA.