Caiu por terra o famoso vaticínio do presidente americano: "Eu poderia atirar em alguém no meio da Quinta Avenida e mesmo assim não perderia nenhum eleitor", dito quando era candidato em janeiro de 2016.
Pois a guerra do Irã , os preços do diesel e da gasolina, as ações anti-imigração e suspeitas de corrupção custaram a Trump não apenas um, mas milhões de eleitores.
Ele até tentou se distanciar da derrota acachapante .
"Eu não estava na cédula eleitoral... Se meu nome estivesse na cédula, teríamos ganhado facilmente", disse o republicano ao site Politico.
Mas o próprio Trump passou a campanha inteira pedindo que os eleitores imaginassem que era ele quem estava na cédula. E a resposta foi irrefutável: o nome Trump se tornou tóxico.
Outro dogma que desmoronou foi a falibilidade das pesquisas. Inúmeros levantamentos apontavam grande vantagem para os democratas nas disputas na Câmara e no Senado. Mas muitos estavam céticos.
Nos últimos dez anos, as pesquisas consistentemente subestimaram o voto nos republicanos. Em 2020, os últimos levantamentos da Times/Siena, uma das pesquisas mais confiáveis, davam a Trump cinco pontos porcentuais a menos do que o resultado, ainda que a vitória do democrata Joe Biden tenha sido confirmada.
Em 2016, as pesquisas acertaram no resultado do voto popular, em que a democrata Hillary Clinton venceu por 2,1 pontos, mas erraram no colégio eleitoral, que deu vitória a Trump.
Os eleitores de Trump tradicionalmente são menos propensos a responder às pesquisas. Ainda que os institutos façam ajustes para refletir essa sub-representação nas amostragens, havia receio de que pudesse, novamente, existir enorme discrepância entre os levantamentos e o resultado concreto.
Desta vez, se houve algum eleitor subestimado, foi o democrata . A média das pesquisas indicava que o apoio geral a democratas em eleições na Câmara e Senado estava 8 pontos à frente dos republicanos —na prática, o resultado deve ficar acima de 15 pontos.
Mas as pesquisas apontavam para vitórias democratas nas disputas para o Senado em sete estados mais concorridos —e todas se confirmaram, até entre eleitorados profundamente republicanos, como Texas e Kansas.