Centenas de feministas reuniram-se nesta terça-feira em frente ao palácio presidencial no Chile para exigir a saída do ministro da Justiça, que está no centro de um escândalo por ter reduzido as condenações de pelo menos 56 abusadores sexuais de menores. Com lenços roxos no pescoço, cerca de 500 mulheres entoaram o famoso hino feminista "O estuprador é você", enquanto dançavam e apontavam para os gabinetes da presidência de José Antonio Kast, político de extrema-direita.
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Os abusadores "têm que voltar [para a prisão]; é preciso separá-los de toda a sociedade", disse à AFP Carmen Soto, cozinheira de 42 anos, enquanto segurava um cartaz no qual exigia a renúncia do ministro Fernando Rabat. "Sinto muita raiva, porque todas nós, em algum momento, já passamos por algum tipo de abuso", acrescentou.
A polêmica surgiu há duas semanas, quando o veículo local Interferencia revelou os benefícios concedidos a esse grupo de condenados por estupros e outros abusos sexuais. Segundo o instituto de pesquisa Cadem, a notícia fez com que a aprovação de Kast continuasse em queda, chegando a 26% — o pior índice em seus oito meses de governo. O próprio presidente afirmou que o "Estado falhou" com as vítimas.
"Estão cortando recursos na saúde, estão cortando recursos em toda parte — o que já é grave —, mas isso é a cereja do bolo", disse Aurora González, funcionária administrativa de 47 anos, durante a manifestação.
Rabat sustenta que não poderia se recusar a aplicar as reduções, uma vez que estava seguindo um critério estabelecido pela Suprema Corte.
A oposição anunciou que solicitará um processo de impeachment contra Rabat no Congresso — o primeiro contra um ministro de Kast.
Rabat é alvo de críticas da oposição. Como advogado, defendeu o ex-ditador Augusto Pinochet em um caso de suposto desvio de recursos públicos, arquivado após a morte do general.
Manifestantes protestam contra ministro que reduziu penas de abusadores de menores no Chile
Centenas de feministas reuniram-se nesta terça-feira em frente ao palácio presidencial no Chile para exigir a saída do ministro da Justiça, que está no centro de um escândalo por ter reduzido as condenações de pelo menos 56 abusadores sexua