Por O Globo, com agências internacionais — Paris
22/10/2026 07h52 Atualizado 22/10/2026 08h32
O presidente da França , Emmanuel Macron , condenou nesta quinta-feira o que classificou como "atos sediciosos" da "extrema esquerda" e afirmou que o governo pretende autorizar apenas manifestações convocadas por organizações sindicais — em resposta aos incidentes do fim de semana , quando marchas de manifestantes pacíficos dividiram espaço nas ruas das principais cidades francesas com uma onda de saques e atos de violência. Novos atos foram convocados para o próximo sábado, por diferentes grupos.
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— Estamos presenciando atos políticos, e até mesmo sediciosos, perpetrados por grupos organizados de extrema esquerda que visam derrubar a República — disse Macron após uma reunião do conselho de segurança francês. — Atos que esses próprios grupos reivindicam abertamente, caracterizados por uma violência extrema e intensa.
O presidente francês e seu Gabinete de governo enfrentam pressões políticas em duas frentes: por um lado, os manifestantes exigem uma série de demandas, que incluem soluções para o alto custo de vida no país, melhores condições de ensino, entre outros; por outro, partidos políticos de extrema direita e extrema esquerda convergem ao culpar o governo pelo despreparo diante das marchas convocadas no sábado, que resultaram tanto em saques e depredações, quanto em denúncias de violência policial.
Macron reconheceu nesta quinta que houve "falhas" na resposta aos protestos de sábado, e voltou a repetir que o governo precisa aprender com essa experiência. Ele acrescentou que as autoridades também receberam autonomia para adotar medidas específicas, como a proibição de aglomerações, e que o sistema judiciário está "totalmente mobilizado" para lidar com a situação.
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Prometendo adotar uma "estratégia multifacetada" para conter eventuais distúrbios, Macron ainda disse que manifestações organizadas por sindicatos serão "analisadas em conformidade" com as leis francesas e autorizadas, desde que se garanta que possam ocorrer de forma segura, enquanto atos sem participação de organizações sindicais serão "sempre que possível, totalmente proibidos".
A narrativa oficial do governo francês vem tentando distanciar atos que considera legítimos daqueles que terminaram em vandalismo e depredação. Nesta quinta, Macron afirmou que o primeiro-ministro Sébastien Lecornu receberia líderes de organizações estudantis na semana que vem, para tratar sobre suas demandas de melhoria na educação. Lideranças sindicais falaram na véspera que o governo também tem discutido propostas como o reajuste do salário mínimo.
Em declarações recentes, o premier francês afirmou que informações dos serviços de inteligência apontaram grupos "ultraesquerda", incluindo antifascistas, anarquistas ou anarcoautônomos, como responsáveis por pré-planejarem atos violentos. O governo também cita a atuação de "oportunistas", que teriam se infiltrado nos protestos sociais para cometer crimes: em plataformas de comércio on-line, itens supostamente saqueados foram anunciados à venda por contas suspeitas . (Com AFP)
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