O número de operações, no entanto, recuou 31,15% na mesma base de comparação, o que indica maior concentração do mercado em operações de valor alto. No período, o país registrou 968 transações.
"O mercado de M&A se tornou mais seletivo. A qualidade de ativos, a diligência prévia e a capacidade de concluir os negócios ganham mais importância", afirma André Nogueira, líder em soluções para M&As no Brasil da Aon.
O mercado tradicional de M&As concentrou no país 518 transações, no valor de US$ 28,26 bilhões (R$ 154,3 bilhões), enquanto o segmento de participações em empresas (private equity) registrou 62 operações, somando US$ 10,89 bilhões (R$ 59,4 bilhões).
Em aquisição de ativos, foram contabilizados 223 negócios, com US$ 8,14 bilhões (R$ 44,4 bilhões). O mercado de capital de risco (venture capital) alcançou 167 contratos e US$ 1,89 bilhão (R$ 10,3 bilhões).
Em relação aos setores, o de de internet, software e serviços de tecnologia liderou em número de transações, totalizando 161 —o volume de M&As no setor, contudo, recuou 39% em relação ao mesmo período do ano passado.
O segundo setor que mais concentrou operações de fusão e aquisição foi o mercado imobiliário, com 147 transações, volume praticamente estável, com queda de 1% na comparação anual.
A Aon estima que as principais negociações envolvendo empresas brasileiras foram as operações entre a Afya e a Nexa Resources, avaliadas conjuntamente em cerca de US$ 2,65 bilhões (R$ 14,5 bilhões), e a aquisição de ativos da cadeia de alumínio no Brasil pela australiana South32, por cerca de US$ 1,16 bilhão (R$ 6,3 bilhões).
A pesquisa destaca o Brasil como país líder em valor agregado, com 61% sobre o capital total movimentado na América Latina com operações de fusão e aquisição.
A região contabilizou 1.720 negociações nos nove primeiros meses do ano, queda de 26% em relação a 2025. O montante mobilizado somou US$ 78,8 bilhões (R$ 430,2 bilhões), quantia que representa um recuo de 5,1%.
Países como Colômbia e Peru viram movimentos semelhantes aos do mercado brasileiro: menos transações e valores maiores. O primeiro país registrou queda de 19,6% na quantidade de operações, mas crescimento de 58,5% no valor agregado, enquanto o segundo viu os M&As caírem 19,5%, mas com uma movimentação em dinheiro 122% maior.
Para 2027, a Aon espera uma recuperação gradual do número de transações na região.
"Três fatores serão determinantes para esse movimento: o custo do capital, a previsibilidade das regras econômicas e comerciais e a convergência entre as expectativas de preço de compradores e vendedores", diz Pedro da Costa, chefe de M&A para a América Latina na consultoria.
M&As no Brasil crescem 31% em valor, mas caem na mesma proporção em número de operações
O Brasil movimentou US$ 49,2 bilhões (R$ 268,6 bilhões) em operações de fusões e aquisições no terceiro trimestre de 2026, alta de 31% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Aon, consultoria especializada em capital de risco e cap