A virada do petista no segundo turno, inédita desde a redemocratização e conquistada após intensa campanha contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro , ganhou o nome de "Lulazo" nas manchetes dos países vizinhos e inspirou movimentos de esquerda em todo o mundo —inclusive na Argentina.
Não fazia duas horas que Lula havia sido matematicamente eleito quando foi criado o canal de WhatsApp "Exército do Peronismo", inspirado na iniciativa do deputado federal André Janones (Rede-MG) para se comunicar com apoiadores de Lula. Em uma semana, o núcleo do PT na Argentina já recebeu ao menos dez pedidos de conversas e entrevistas para compartilhar aprendizados da campanha.
"A vitória de Lula evidencia a necessidade de organização e de unir esforços, tanto do ponto de vista político quanto tecnológico", diz Martín Lousteau, deputado da União Cívica Radical, partido de centro-esquerda argentino.
"É uma demonstração clara de que uma sociedade mobilizada pode frear —e derrotar— a crueldade de certas vertentes da direita atual, que chegam a desprezar a democracia."
O pleito ganha outra dimensão se considerada a atual conjuntura política da região.
A América Latina vive um giro à direita que ficou consolidado nos últimos meses, com a vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia e Keiko Fujimori no Peru . Batizada de "onda azul", a tendência praticamente isolou Brasil, México e Uruguai entre países governados por políticos que vão da centro-direita ao ultraliberalismo.
"É um alento para as forças progressistas do nosso país", afirma Jorge Kreyness, secretário-geral do Partido Comunista da Argentina. "Acho que pode marcar uma mudança de tendência, vínhamos de uma onda em que a direita estava ganhando quase todas as eleições na região."
'Lulazo' é aula para derrotar Milei em 2027, diz oposição na Argentina
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) sobre Flávio Bolsonaro ( PL ) nas eleições presidenciais do Brasil reverberou na oposição da Argentina como um fracasso pessoal do presidente Javier Milei e uma aula para derrotar o ultraliberal no pleito de outubr