Dentro de cada grande região, porém, disputas locais foram fundamentais para a vitória de Lula na contagem geral. A divisão nacional colocou no centro das atenções a escolha dos votantes no Sudeste, onde estão os três maiores colégios eleitorais: São Paulo , Rio de Janeiro e, principalmente, Minas Gerais .
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Os gráficos abaixo mostram como votaram para presidente os brasileiros por região, estados, capitais e demais municípios. Os dados são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
As urnas mineiras são historicamente um espelho do país. Os contrastes dentro do estado tendem a replicar diferenças culturais e socioeconômicas entre as grandes regiões brasileiras. Nunca um presidente foi eleito sem ter vencido em Minas desde a redemocratização.
Vitorioso na eleição nacional no primeiro turno, Flávio também tinha levado o estado na primeira rodada com 48,2% contra 43,3% do rival.
No segundo turno, a disputa mineira foi travada voto a voto. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro largou na frente no início da apuração, impulsionado por uma apertada vitória na capital Belo Horizonte . Em uma apuração com diversas viradas, o revés bolsonarista se deu no interior. Lula abriu vantagem em cidades como Juiz de Fora e fechou a disputa com 50,4% dos votos mineiros, contra 49,6% de Flávio.
Cidades interioranas de estados com economias com grande participação do agronegócio consolidaram-se como redutos bolsonaristas. Mas o petismo voltou a mostrar força ao levar colégios decisivos.
Flávio venceu nos demais estados do Sudeste. Mas foi da maior capital brasileira que Lula tirou uma reserva de votos importante para o resultado geral. A cidade de São Paulo —que tem mais de 9 milhões de eleitores— elegeu o petista com uma diferença de dez pontos percentuais.
No Nordeste, Lula repetiu a vitória do primeiro turno e manteve a sua liderança histórica na região. Em oito dos nove estados nordestinos, o presidente reeleito venceu com índices próximos ou acima de 70%. Em Alagoas , onde o petista teve o seu pior resultado regional, a vitória veio com pouco mais de 60%.
O Norte foi cenário de uma disputa acirrada. Flávio levou quatro dos sete estados –Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins, mas entre os três estados que escolheram Lula estão os dois maiores colégios eleitorais da região: Pará e Amazonas. O presidente também ganhou no Amapá.
O senador dominou as urnas no Sul, que tem histórico de preferir representantes da direita. Das capitais, a exceção é Porto Alegre , no Rio Grande do Sul, conhecido reduto petista na região. Lula recebeu 55,8% dos votos, crescendo a vantagem em relação ao primeiro turno, quando teve 48,5%.
Já em Florianópolis (SC), a disputa foi mais acirrada: o senador recebeu 51,6% e o presidente, 48,3%. Em Curitiba (PR), Flávio manteve uma liderança mais folgada, com 62,2%.
A região Centro-Oeste, lar do agronegócio, reforçou a preferência pelo candidato da direita, como era esperado. Flávio Bolsonaro alcançou 62,6% dos votos em Goiânia (GO), 61,1% em Campo Grande (MS) e 59,5% em Cuiabá (MT). Em Brasília (DF), teve 54,2%.
O segundo turno repetiu o cenário do primeiro, olhando os resultados por região. Espelhou também as eleições de 2022: Jair Bolsonaro liderou no Centro-Oeste, Sul e Sudeste –com exceção de Minas Gerais, que deu vitória a Lula, favorito no Nordeste. No Norte, além de Acre e Roraima, Rondônia também deu preferência ao representante da direita.