Lula vai procurar centrão e condiciona indicações para ministérios a votos no Congresso

O presidente Lula ( PT ) iniciará na próxima semana as conversas para o desenho do quarto mandato . A meta, segundo aliados, é concluir a composição da nova Esplanada dos Ministérios até 20 de dezembro.

Por Admin ·

Lula vai procurar centrão e condiciona indicações para ministérios a votos no Congresso

Depois do feriado de Finados, em 2 de novembro, Lula e os emissários do petista deverão negociar com partidos de centro a participação no governo. O presidente do PT, Edinho Silva , foi designado para conduzir as primeiras conversas.

Diferentemente da montagem do atual mandato, em que prevaleceu o tamanho total das bancadas, o espaço de cada partido no ministério dependerá da promessa de fidelidade às pautas governistas.

Além de definir a pasta que cada partido ocupará segundo a expectativa de votos no Congresso Nacional , a ideia é que só congressistas leais possam indicar nomes para cargos no Executivo. Com isso, o governo pretende evitar a experiência de votações passadas, quando partidos acomodados na Esplanada impuseram derrotas no Legislativo.

Com o mapa em mãos, Lula montará a futura equipe. Segundo relatos, o MDB acena, por exemplo, com a possibilidade de garantir 30 votos ao governo, tendo o ex-governador do Pará Helder Barbalho entre os cotados para uma cadeira no ministério.

Lula também terá o desafio de acomodar aliados que foram derrotados nas últimas eleições ao cumprirem missões para o presidente, como Gleisi Hoffmann , no Paraná, Fernando Haddad , em São Paulo, e Paulo Pimenta , no Rio Grande do Sul.

A pedido de Lula, Gleisi abriu mão da disputa à Câmara dos Deputados para concorrer ao Senado pelo Paraná. Na conversa com o presidente, Gleisi avisou que seria derrotada no estado de forte presença bolsonarista.

Embora soubesse do risco, Lula pediu que ela concorresse ainda assim, para que tivesse um palanque no Sul. Hoje, aliados de Lula apostam na indicação de Gleisi para o Ministério do Desenvolvimento Social, para o qual já esteve cotada, ou para uma cadeira no TCU (Tribunal de Contas da União), caso o ministro Rodrigo Pacheco seja indicado ao STF (Superior Tribunal Federal). O nome da ex-ministra também é cogitado para a diretoria-geral de Itaipu Binacional, no Paraná.

Outro nome de confiança do presidente, o vice Geraldo Alckmin ( PSB ) deverá assumir um ministério a partir de janeiro. Petistas apontam a Defesa como um possível destino. Ele vem sendo citado também para a Fazenda.

Lula e Alckmin estreitaram ainda mais a relação de proximidade neste ano. O petista relatou a aliados ter ficado satisfeito com o desempenho do vice na campanha.

A expectativa de governistas é que, independentemente do papel formal que ocupe dentro do Executivo, Alckmin receba mais tarefas de Lula no mandato que se iniciará do que no atual. O vice deverá ter mais espaço para representar a Presidência da República em viagens nacionais e internacionais, em costuras políticas e em conversas com o empresariado.

Como mostrou a Folha , outro dos mencionados para assumir alguma pasta é o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Um dos coordenadores da campanha de Lula no segundo turno, ele é cotado para o Ministério da Fazenda , mas teria que abdicar do cargo de governador para assumi-lo —o que já manifestou a aliados estar disposto a fazê-lo.