A escolha do chefe da equipe econômica, acompanhada de perto pelo mercado, e a acomodação de aliados derrotados nas urnas estão entre os desafios dessa montagem. As duas situações também marcaram 2002 e 2022 .
No mandato inaugural, o primeiro nome saiu 44 dias depois do segundo turno e, em 2022, 40 dias depois. A situação atual, porém, pode ser mais parecida com a de 2006, quando o petista já estava no Palácio do Planalto e obteve a reeleição. Naquele ano, a reforma ministerial só começou a ser efetivada mais de 130 dias após a votação, em março de 2007.
"Meu papel é o de maestro", disse Lula em 2002. "Se dependesse da minha vontade, lançaria um ministro por dia." No começo de novembro daquele ano, ele afirmou que divulgaria toda a equipe de uma só vez. Um mês depois da eleição, pediu paciência.
Naquele mandato, o primeiro nome do ministério foi revelado em resposta a investidores. Em 10 de dezembro, 44 dias após o segundo turno, Lula estava em Washington quando foi questionado sobre o que eles consideravam demora na escolha da equipe econômica. Replicou que havia colocado um médico na Fazenda, em referência a Antonio Palocci, coordenador da transição.
No mesmo evento, afirmou que Marina Silva cuidaria da área ambiental e que não havia indicado o presidente do Banco Central porque seria uma concessão ao mercado. Na saída, negou à imprensa ter confirmado os nomes. Havia prometido divulgar todo o ministério de uma vez.
O argumento da concessão ao mercado reaparece neste ano. Como mostrou a coluna Painel, Lula tem dito que antecipar o nome do titular da Fazenda seria uma concessão indevida ao mercado e que vai anunciá-lo com os demais ministros.