Lula e Flávio Bolsonaro escolherão chefe da Fazenda sob cenário de desconfiança

O presidente da República eleito neste domingo (25) vai escolher o titular do Ministério da Fazenda tendo como desafio reverter a desconfiança nutrida pelas promessas eleitoreiras lançadas de ambos os lados.

Por Admin ·

Lula e Flávio Bolsonaro escolherão chefe da Fazenda sob cenário de desconfiança

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Após um primeiro turno acirrado , tanto o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) quanto o senador e candidato Flávio Bolsonaro ( PL ) se comprometeram com medidas que podem atrair votos, mas vão na contramão do ajuste nas contas públicas esperado por economistas e pelo mercado.

Com o poder da máquina em mãos , o petista prorrogou subsídios aos combustíveis, perdoou dívidas de MEIs (microempreendedores individuais) e acenou com Pix de R$ 5.000 para os empreendedores a partir de 2027.

Também prometeu ampliar o programa Pé-de-Meia para universitários e instituir a tarifa zero no transporte aos fins de semana para o público urbano em todo o país, medidas de expansão de despesas que ainda precisarão ser acomodadas no Orçamento.

Já o candidato do PL, em quem o mercado apostou suas fichas para controlar gastos de forma mais rigorosa, passou a ser cobrado com mais contundência sobre possíveis cortes em políticas sociais.

Na tentativa de se afastar dessas pautas impopulares, Flávio prometeu manter ganhos reais (acima da inflação) para aposentados e negou que vá desvincular benefícios do salário mínimo —riscando de seu potencial cardápio medidas que poderiam gerar economia mais significativa. Também passou a apoiar medidas com custo fiscal, como a tarifa zero .

A condução dos temas fiscais na campanha deve afetar diretamente não só a importância do nome do ministro da Fazenda, mas também o momento do anúncio. O placar final da disputa ainda pode ditar o grau de aceno ao mercado para tentar garantir condições financeiras mais benéficas no mandato.

No caso de Lula, o petista precisará, se eleito, indicar alguém que tenha o condão de recuperar rapidamente a credibilidade do governo após o que deve ser uma reação bastante negativa do mercado à sua reeleição, com alta dos juros e do dólar.

Na atual gestão, o presidente até patrocinou iniciativas para desacelerar gastos, como a regra que limitou a valorização do salário mínimo ao mesmo percentual de correção do arcabouço fiscal (regra que disciplina as despesas federais). Mas também chamou superávit, economia de recursos para pagar os juros da dívida, de "babaquice" . Depois, tentou corrigir rota na campanha .

Já Flávio, se eleito, terá que escolher o ministro mais rapidamente que o previsto, após as recentes promessas colocarem em dúvida a disposição do presidenciável em bancar o ajuste.

Paira ainda o temor de que a chamada "pauta da vingança" , que inclui a anistia a Jair Bolsonaro (PL) e o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), ganhe protagonismo e ofusque as discussões econômicas. Sem uma sinalização contundente sobre medidas de controle de gastos, a percepção no mercado é que a boa vontade dos agentes diminuirá, com reflexo negativo no câmbio e nos juros.