"Transmito ao novo Presidente do Paraguai, Pedro Alliana, empossado na noite de hoje, meus desejos de pleno êxito nas novas funções e de poder trabalhar com ele de maneira aberta, franca e cooperativa, em prol do fortalecimento da relação bilateral e do avanço da integração na América do Sul ', escreveu Lula.
"Espero poder recebê-lo proximamente em Brasília, oportunidade em que poderemos examinar a nossa agenda bilateral e dar renovado impulso a nossos históricos laços de amizade", disse.
Alliana respondeu à mensagem logo em seguida. "Estimado Presidente, muito grato pelo seu cumprimento. Nossas nações sempre estarão unidas por laços de fraternidade. Iniciamos uma relação frutífera em homenagem aos nossos povos!", escreveu o novo presidente paraguaio.
Conservador, integrante do hegemônico Partido Colorado e aliado de Donald Trump na América Latina, Peña mantinha relação cordial com Lula durante o mandato de ambos. O paraguaio estava à frente do país desde 2023, ano em que o petista reassumiu o Planalto para seu terceiro mandato.
Em julho deste ano, os dois passaram por breve atrito após Lula mencionar a Guerra do Paraguai em uma visita a uma companhia de defesa em Jacareí (SP). "Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil", disse o petista.
A declaração não está equivocada, mas a mera menção ao conflito do século 19, o maior da América Latina e responsável por devastar o país vizinho, foi suficiente para que o governo paraguaio fosse pressionado por dias a tomar ações mais duras contra o governo Lula. Assunção convocou o embaixador brasileiro no país e entregou nota de repúdio .
Foi o próprio Alliana, então vice de Peña, quem entregou a nota. "Nós também não queremos aprofundar muito essa questão [...] em plena campanha eleitoral", afirmou Alliana na ocasião, ao ser questionado por um jornalista em uma entrevista coletiva após o encontro. "O que menos queremos é que eles pensem que pretendemos interferir nas eleições."
Peña foi preso nesta sexta-feira (6), horas depois da aprovação do impeachment no Congresso que o removeu do cargo . O político do Partido Colorado foi informado da ordem por agentes e fica detido em prisão domiciliar até se apresentar à Procuradoria —segundo fiscais afirmaram à imprensa local, Peña deve se apresentar às 11h.
Agentes que ingressaram na residência de Peña afirmaram à imprensa paraguaia na frente da residência que o ex-presidente ficará em prisão domiciliar porque assim determinava a ordem de detenção emitida minutos após a aprovação do impeachment.