Exibido na Globo na noite desta sexta-feira (23), o embate foi o segundo encontro entre os dois candidatos, que não compareceram aos debates do primeiro turno. Empatados nas últimas pesquisas eleitorais, os dois buscaram atrair eleitores indecisos, com o senador tentando moderar o discurso e o presidente apostando no legado de sua gestão.
No primeiro bloco, o petista abriu sua resposta agradecendo aos telespectadores e a Deus —o que havia deixado de lado no debate na Band. Ele rebateu a pergunta do adversário, acusando o governo do pai do senador, Jair Bolsonaro (PL), de deixar obras inacabadas.
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Logo no primeiro momento do embate, Flávio, que havia sido criticado por não responder às perguntas e pela falta de propostas concretas no debate da Band no último domingo (18), usou seu tempo para apresentar planos de ampliação de infraestrutura. Ele enfatizou a expansão da rede de internet, sem dar detalhes sobre a implementação.
No mesmo tema, Lula insistiu na estratégia de sua campanha até então e falou dos feitos de seu governo –inclusive os controversos, caso da BR-319, rodovia que corta a floresta amazônica de Manaus a Porto Velho e que é criticada por entidades ambientalistas.
No primeiro bloco, os candidatos deveriam abordar regiões do Brasil –a começar pelo Sudeste. Lula passou longe e questionou o adversário se ele saberia quanto seria o salário mínimo se não fosse pelos governos do PT. Usou o resto do tempo para questionar Flávio sobre a tarifa zero nos ônibus aos finais de semana , proposta com a qual o bolsonarista disse concordar.
Sem explorar o tema, o senador partiu para críticas sobre taxa de juros e custo de vida, puxadas pelo endividamento, e disse que Lula tira, com "nove dedos", dinheiro da população.
No bloco seguinte, o presidente cobrou desculpas pelo uso da expressão "nove dedos". "Ele vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo. Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente não tem que trabalhar", disse Lula. "Eu era de menor e trabalhava à noite."
Na sequência, Flávio pediu desculpas e logo emendou críticas ao concorrente. "Lula, se eu te ofendi porque eu te chamei de nove dedos, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender", disse. "Agora eu quero saber se você vai pedir desculpas aos moradores de rua que dobraram durante seu governo", fazendo uma sequência de questionamentos do tipo.
Ainda no primeiro bloco surgiu uma das poucas menções do debate à política internacional. Lula usou a região Sul para falar sobre aposentadoria e insistiu na imagem do "tesouraço" da campanha de Flávio e voltou a comparar as políticas propostas pelo senador às de Javier Milei , presidente argentino.
Ao longo do confronto, o candidato do PL acusou o governo atual de gastar mais do que arrecada, afirmando que isso gera inflação, aumento da dívida e taxas de juros mais altas, mas se esquivou de tratar de corte de gastos.
Questionado por Lula sobre planos de cortes em programas sociais e aposentadorias, o senador negou que faria economia em cima da população mais vulnerável, prometendo inclusive reajustar o salário mínimo acima da inflação.
Durante todo o debate, o petista insistiu em pintar o adversário como incompetente. Disse e repetiu que Flávio parecia um estudante de vestibular "que decora, mas não aprende". Flávio, por sua vez, apostou em indiretas sobre a idade de Lula, que tem 80 anos. Disse, mais de uma vez, que o petista parecia estar com problemas auditivos e de dicção.
A primeira menção a questões ambientais veio ao final do primeiro bloco, quando os candidatos discutiam a região Norte. Flávio aproveitou a deixa para falar sobre saneamento básico, e Lula trouxe, enquanto criticava o colega, a ideia de economia verde.
O bloco terminou com a região Nordeste –onde se concentra o eleitorado do PT– e, de novo, Lula pintou um "antes e depois" da região, destacando obras das gestões petistas. Flávio respondeu com frases de efeito: "O Nordeste não é problema, é solução" e "eu vou ser o carioca mais nordestino que você já viu na terra".
A temperatura do debate subiu rápido no segundo bloco. Lula não usou, de cara, todo o tempo que tinha disponível. O mediador Cesar Tralli perguntou ao presidente se ele usaria o tempo restante, algo que havia ocorrido algumas vezes no primeiro bloco. Desde a primeira ocorrência, Flávio se mostrou incomodado com a postura do jornalista. No segundo bloco, ele subiu o tom, causando frisson no estúdio.
Quando o tema mudou para as contas públicas, Flávio pisou no calo da terceira gestão do petista. Lula rebateu com uma pergunta sobre a independência do Banco Central e criticou o patamar da taxa de juros sob o modelo.
Flávio trouxe, mais uma vez, sua proposta polêmica de congelamento de dívidas de pessoas físicas e jurídicas. É uma ideia que remonta à era Collor, marcada por inflação descontrolada, congelamentos e sequestros de poupanças.
Na entrevista pós-debate, o petista foi questionado sobre se pretendia revogar a lei de autonomia do BC caso reeleito. Respondeu que reverter a independência não é a prioridade do seu programa de governo e afirmou que seu foco é a queda nos juros.