O presidente Lula ( PT ) comparou nesta quarta-feira (21) a disputa com Flávio Bolsonaro ( PL ) sobre a abertura de sigilos bancários a uma partida de truco e convocou apoiadores a aderir ao canal de WhatsApp "Exército do Lula", criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
As declarações foram feitas durante um ato de campanha em Belo Horizonte , a quatro dias do segundo turno da eleição presidencial.
"Vou dizer uma coisa a vocês: mineiro é especialista em saber jogar truco. Eu essa semana pedi pro Flávio abrir o sigilo. Hoje ele inventou um monte de mentira e trucou 6. Eu vou meter o 9 na cara dele amanhã", afirmou Lula.
O petista prosseguiu com a comparação, em referência às cartas do jogo. "As cartas dele são todas falsas. Eu tô com zap, sete de copas, espada e ouro. E ainda tenho um 3 de reserva. Ele vai saber o que é um campeão de truco que aprendeu a jogar com o povo mineiro."
A declaração ocorre em meio à troca de desafios entre os candidatos sobre a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas. Lula apresentou a proposta durante o debate da Band, no domingo (18), e formalizou o pedido ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na terça-feira (20).
Na noite desta quarta, Lula postou em rede social: "Desafio aceito, Flávio Bolsonaro. Amanhã, as 11h esperamos você no TSE para abertura total do sigilo".
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), também candidato à reeleição, declarou que abriria o seu sigilo se necessário e defendeu que isso seja aplicado no caso de políticos eleitos. Ele também publicou imagem no Instagram reiterando a possibilidade de compartilhar as informações financeiras.
"Acho até que quem é eleito presidente, vice-presidente, não deveria ter sigilo nem fiscal, nem bancário, nem telefônico. Vida pública é vida pública, tem que ser transparente", disse Alckmin em entrevista à imprensa na tarde desta quarta, na Casa de Portugal, em São Paulo.
Alckmin defendeu as medidas econômicas adotadas recentemente pelo governo e disse acreditar que elas possam atrair mais pessoas às urnas no domingo (25) e reduzir a abstenção. "Nós estamos confiantes, trabalhando e pedindo votos com humildade", afirmou.
Nesta quarta, Flávio condicionou a abertura de seus sigilos à divulgação de dados do ex-assessor de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além de informações relacionadas ao Instituto Lula e à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. A campanha petista afirmou aceitar as condições apresentadas pelo adversário.
Durante o discurso, Lula também anunciou que passará a usar um celular para participar do chamado "Exército do Lula", canal criado por Janones para mobilizar apoiadores e ampliar a circulação de conteúdos favoráveis ao presidente nas redes sociais.
"Eu nunca tive um celular. Agora eu ganhei um celular do governador do Piauí. Eu a partir de amanhã vou ter um celular e vou fazer parte do Exército do Lula", disse, em referência ao governador Rafael Fonteles (PT).
O presidente convidou os presentes a aderir à iniciativa, que ultrapassou 7 milhões de seguidores nesta quarta-feira, e estabeleceu a meta de alcançar 10 milhões até quinta (22).