Lula chamava Cármen de 'falsa humilde', Fachin de 'fdp' e Fux de 'cachorro pidão' e 'canalha' na prisão, diz carcereiro

O policial federal Jorge Chastalo Filho, que foi o carcereiro de Lula na prisão nos 580 dias em que o presidente ficou preso na Superintendência da PF no Paraná, revela no livro "Banho de Sol" diálogos em que o petista demonstrava profunda

Por Admin ·

Lula chamava Cármen de 'falsa humilde', Fachin de 'fdp' e Fux de 'cachorro pidão' e 'canalha' na prisão, diz carcereiro

Na época, ele sofria diversos reveses na Corte, que negava seguidamente pedidos para que fosse libertado, censurava pedidos de entrevista e adiava julgamentos que poderiam anular sua condenação.

Os ministros Cármen Lúcia , Edson Fachin e Luiz Fux aparecem no livro como os principais alvos da mágoa de Lula.

Chastalo conta que, em julho de 2018, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiria se ele poderia ou não se candidatar a presidente, Lula fez duras críticas a Cármen e a Fachin.

"A Cármen é uma falsa humilde, Chastalo. Conhece esse tipo de gente? Em uma conversa comigo, para que eu a indicasse ao STF [em 2006], começou dizendo que seu primeiro brinquedo foi uma boneca de sabugo. E que seu pai tinha as mãos calejadas de trabalhar. E que aprendeu com seu pai que uma coisa muito importante na vida é a gratidão. E eu caí nessa!", teria afirmado o petista, segundo o carcereiro.

"O [ministro Edson] Fachin foi a mesma coisa. Era ligado a movimentos sociais e agora está cagando pra eles; e o [então ministro] Luís Roberto Barroso , por sua vez, era advogado da Rede Globo".

Em outro trecho, segundo Chastalo, Lula teria contado a ele que, ao buscar a indicação para a Corte, Cármen teria dito a ele que aprendeu com o pai a "levar no coração a palavra 'gratidão'". Se fosse indicada para o STF, jamais esqueceria o gesto.

"Sorrindo, Lula diz: 'Agora está aí, insegura, fazendo merda'", segue o carcereiro em seu relato.

Em um outro momento, Lula teria afirmado a ele: "Fui dormir cedo ontem, com um ódio muito grande da Cármen Lúcia. Ela falava em gratidão e agora deu nisso. Essa miserável".

Edson Fachin teria sido criticado novamente por Lula, sempre segundo o carcereiro, quando retirou de pauta o julgamento do habeas corpus interposto por seus advogados pedindo a sua libertação.

"Esse Fachin é um filho da puta mesmo, Chastalo. Eu não indiquei ele para o STF no meu mandato porque não confiava nele. Aí a Dilma [Rousseff, que sucedeu Lula na presidência da República] me liga um dia pedindo autorização para indicar. Eu apenas disse: 'Agora é você quem decide, afinal, é você quem está na Prsidência'".

"Eu achava ele um comedor de hóstia, um desses religiosos que comem hóstia hoje, mas fazem merda amanhã... Igual ao Bolsonaro, que diz ser evangélico, mas que tem um apartamento pra 'comer gente', seguiu Lula, de acordo com relato de Chastalo em seu livro.

O carcereiro afirma que comentou então com Lula que Barroso e Alexandre de Moraes, indicado ao STF por Michel Temer, eram "os mais inteligentes" da Corte. Segundo ele, o petista concordou.

Em 2018, a Folha e o jornal El País obtiveram autorização judicial, concedida pelo então ministro Ricardo Lewandowski, para entrevistar Lula na prisão. O ministro Luiz Fux, no entanto, derrubou a decisão, censurando a entrevista.

Quando recebeu a notícia do próprio Chastalo, Lula teria afirmado: "O Fux passou mais de um ano frequentando toda cerimônia quando eu era presidente, com cara de cachorro pidão [então ministro do Superio Tribunal de Justiça, Fux estava em campanha por uma vaga no STF]. Mas nunca confiei nele. Aí veio a Dilma e acabou nomeando esse canalha, por indicação do [então ministro da Fazenda Antonio] Palocci e do [então governador do Rio de Janeiro] Sérgio Cabral."

Poucos magistrados mereceram palavras elogiosas de Lula no período de cárcere, de acordo com Chastalo.

Em um dos trechos de "Banho de Sol", ele revela uma fala em que o petista teria afirmado que Gilmar Mendes e Celso de Mello são exceções no STF. Eles teriam coragem, enquanto outros magistrados seriam, na opinião de Lula, "boi do cu branco".

O carcereiro diz que questionou o presidente sobre a expressão, e que ouviu a explicação de que "o termo é utilizado quando um touro é covarde e nem se dispõe a lutar pelo posto de reprodutor da manada. Muitos membros do STF são assim, não aguentam uma capa da [revista] Veja, então não decidem nada que possa ter repercussão negativa".

Lula foi libertado em da cadeia em novembro de 2019, depois que o STF decidiu que uma pessoa somente poderia ser presa depois do trânsito em julgado do processo.