Ao contrário, o petista encontrará um Legislativo a princípio hostil. Os blocos que lhe farão oposição serão maiores do que os atuais tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado , em decorrência da expansão do PL, dono das maiores bancadas nas duas Casas.
Penoso do ponto de vista do governo, esse contraste de forças não deixa de ser bem-vindo para a sociedade, já que obrigará o presidente a buscar pautas legislativas menos controversas e, sobretudo, nomes mais consensuais para a ocupação de vagas que dependem de aval do Senado.
Propostas de emenda à Constituição, por exemplo, dificilmente avançarão com um DNA 100% petista, em especial no campo econômico. Indicações de ministros do Supremo Tribunal Federal ( STF ), por sua vez, encontrarão, logo de saída, a resistência de 29 senadores do PL e 3 do Novo —apenas 9 a menos do que o necessário para derrubar a nomeação.
Esse entrechoque será negativo, contudo, se a agenda da oposição se converter em um esforço para bloquear o governo; se, em vez de contribuir para uma resultante moderada do encontro de vetores à esquerda e à direita, essa situação levar a uma paralisia perniciosa para o país.
Lula, com a experiência acumulada em três mandatos presidenciais, deveria saber disso melhor do que ninguém. E, como nas demais vezes que se instalou no Palácio do Planalto, precisará compor alianças a fim de conquistar um mínimo de governabilidade.
As movimentações nesse sentido já começaram e se intensificarão nas próximas semanas, graças a uma confluência de interesses: partidos do centrão perderam espaço com o crescimento do PL nestas eleições e esperam que, aliando-se ao Executivo, possam preservar influência e poder.
Siglas como PP , Republicanos e União Brasil consideram que, por não terem apoiado Flávio no primeiro turno, poderão ingressar no governo desde o começo, sem constrangimentos. Para isso, negociam, como contrapartida, o controle de alguns ministérios.
Nada haverá de errado se as tratativas avançarem nessa toada: partidos compõem a base governista no Congresso e, em troca, exercem o comando de algumas políticas públicas do Executivo.
O histórico do PT e do centrão, porém, recomenda doses máximas de ceticismo diante dessas promessas e de vigilância quanto aos próximos passos.
É um mau sinal, assim, que Lula queira condicionar o espaço nos ministérios a uma fidelidade canina às pautas governistas. Se é verdade que a base deve apoiar o Executivo, este deveria se mostrar aberto a debater sua agenda, e não ávido por fazê-la prevalecer.
Lula 4 precisa moderar pautas diante de Congresso hostil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) entrou no segundo turno como azarão, por ter ficado atrás de Flávio Bolsonaro ( PL ) na primeira rodada, e saiu com uma vitória expressiva, dada a amplitude da vantagem que impôs sobre o seu adversário. A solidez d