Lula 4 dá fôlego à democracia, mas extrema direita não foi embora com Flávio

[RESUMO] Triunfo histórico de Lula merece ser celebrado pelos defensores da democracia, mas não podemos nos enganar sobre a gravidade da situação. O voto bolsonarista segue crescendo, consolidou domínio no Congresso e por pouco não leva a Presidência, impulsio

Por Admin ·

Lula 4 dá fôlego à democracia, mas extrema direita não foi embora com Flávio

Com uma inédita virada no segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva ganhou um inédito quarto mandato como presidente naquela que foi, sem dúvida, a eleição mais dramática da história do país.

Mais uma vez, a democracia brasileira respira aliviada após escapar por um triz do maior risco por que passou desde o fim da ditadura militar. Mas se o retorno de Lula há quatro anos pareceu ser interpretado por muitos como sinal de que a ameaça fora definitivamente derrotada, é preciso desta vez levar muito a sério o que as urnas indicam: ela não apenas não foi embora, como segue crescendo.

Embora o salto à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno não fosse esperado, tudo mais nos resultados daquele dia não deveria ser surpresa.

Malgrado a derrota na disputa presidencial de 2022, o voto bolsonarista continuou se ampliando e capilarizando desde 2018, conforme se pôde observar nas três últimas eleições , com a consolidação de sua presença no Congresso , nos governos e legislativos estaduais, nas prefeituras e câmaras de vereadores.

Em vez de uma virada de maré, o triunfo de Lula quatro anos atrás foi a recaptura do último bastião que ainda não estava plenamente nas mãos da extrema direita.

Se aquela eleição viu um dos melhores presidentes da história do Brasil bater o pior por uma margem mínima, 2026 obrigou Lula a correr atrás do resultado contra um candidato que não é o político mais expressivo nem de sua própria família —e o reconduziu ao governo para quatro anos sob o cerco permanente de um adversário hostil e empoderado.

Nas últimas semanas, um termo circulou para caracterizar esse cenário: haveria uma revolução de extrema direita em curso no país. Por um lado, tratar-se-ia de uma revolução cultural , visível, por exemplo, no avanço de todo um universo de valores e referências associados ao agronegócio ao longo da fronteira agrícola em expansão no interior do Brasil.

Uma revolução cultural também no modo como a extrema direita soube dar forma aos desejos e frustrações dos atletas da viração nas cidades grandes e médias : motoboys, motoristas de aplicativo, aspirantes a influencers e outros trabalhadores em situação permanente de sub e multiemprego que se identificam com a promessa de um mundo em que menos regulação e impostos possam impulsionar seus voos pessoais.

Revolução cultural, finalmente, no crescimento das igrejas evangélicas nas periferias e na ascensão dos empreendedores políticos : influenciadores digitais que fizeram da agitação de extrema direita uma carreira lucrativa e que, em muitos casos, lograram converter em votações estrondosas seu considerável capital midiático.