Companhias mantêm investimentos e redução de dívida em paralelo
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Londres, Paris e Madri | Financial Times Três das maiores companhias petrolíferas da Europa aumentaram os pagamentos aos acionistas nesta quinta-feira (29), à medida que a turbulência provocada pela guerra com o Irã ajudou a elevar seus lucros a patamares vistos pela última vez em 2022.
A Shell anunciou um forte aumento em seu programa trimestral de recompra de ações, de US$ 3 bilhões (R$ 16,04 bilhões) para US$ 5 bilhões (R$ 26,73 bilhões), enquanto a francesa TotalEnergies e a espanhola Repsol também prometeram dividendos e recompras maiores após uma disparada nos lucros.
Os pagamentos mais elevados são o primeiro sinal de como as petrolíferas europeias pretendem gastar os bilhões de dólares em lucros adicionais obtidos neste ano, depois que o confronto no Oriente Médio fez os preços do petróleo , do gás e dos combustíveis dispararem.
"O que quero evitar é que o excesso de caixa queime em nossas mãos", afirmou Wael Sawan, CEO da Shell, ao anunciar lucros trimestrais próximos de um recorde.
Analistas também esperam que as grandes petrolíferas usem os ganhos extraordinários para reforçar suas reservas de petróleo e gás e, mais adiante, financiar novas fusões e aquisições no setor.
Em conjunto, a indústria petrolífera registra neste ano seus maiores lucros desde que a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia desencadeou uma crise energética na Europa, em 2022.
A Shell informou nesta quinta-feira (29) que obteve lucro ajustado de US$ 10,8 bilhões (R$ 57,74 bilhões) no terceiro trimestre, o segundo maior de sua história, após registrar lucro de US$ 9,8 bilhões (R$ 52,4 bilhões) nos três meses anteriores.
Sawan afirmou que a ampliação das recompras permitiria à Shell cumprir a promessa feita no ano passado de devolver aos acionistas entre 40% e 50% de seu fluxo de caixa operacional. A empresa continuaria investindo em seus negócios e reduzindo a dívida, além de devolver recursos aos investidores, afirmou.
"Continuamos investindo pesadamente", comentou Sawan, citando o acordo de US$ 16,5 bilhões para a compra da canadense ARC Resources.
Biraj Borkhataria, analista da RBC Capital Markets, observou que a Shell agora recompra ações no mesmo ritmo que a ExxonMobil, apesar de ter metade do tamanho da empresa norte-americana em termos de capitalização de mercado. Ele disse que a Repsol está "apostando firme e se comprometendo com distribuições maiores".
A TotalEnergies elevou seu dividendo em 6% na comparação anual e aumentou as recompras de US$ 1,5 bilhão (R$ 8,02 bilhões) para US$ 2,5 bilhões (R$ 13,37 bilhões) em cada um dos próximos dois trimestres, no limite superior de uma faixa anunciada anteriormente.
A Repsol anunciou 950 milhões de euros em novas recompras, somando-se aos 850 milhões de euros (R$ 5,06 bilhões) em ações recompradas desde março, e elevou seu dividendo em 8% em relação ao ano passado.
O lucro ajustado da TotalEnergies mais do que dobrou em relação ao ano anterior, para US$ 9,1 bilhões (R$ 48,65 bilhões), superando as previsões, à medida que diminuiu o impacto imediato do conflito no Oriente Médio sobre suas operações. A Repsol, que opera seis refinarias, informou que seu lucro líquido ajustado subiu 260% na comparação anual no terceiro trimestre, para 2,7 bilhões de euros (R$ 16,08 bilhões).
A Shell afirmou que os lucros do terceiro trimestre com combustíveis refinados aumentaram para US$ 3,8 bilhões (R$ 20,32 bilhões), em meio à escassez global de diesel e à disparada dos preços. Sua margem de refino —o valor que a empresa ganha ao transformar um barril de petróleo bruto em combustível— subiu de US$ 24 no segundo trimestre para o recorde de US$ 42.
A decisão da Shell de ampliar suas recompras ocorreu apenas dois trimestres depois de a empresa reduzir os pagamentos, numa tentativa de proteger seu balanço diante das incertezas provocadas pela guerra com o Irã.
No início deste mês, a petrolífera italiana Eni informou que elevaria sua recompra em 12%, para 3,8 bilhões de euros (R$ 22,63 bilhões), e pagaria um dividendo extraordinário de 1,3 bilhão de euros (R$ 7,74 bilhões). Em junho, a norueguesa Equinor dobrou para US$ 3 bilhões as recompras previstas para o ano.
Os lucros da Shell entre abril e setembro ficaram pouco abaixo do recorde de US$ 20,9 bilhões obtido em seis meses de 2022, depois que a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia desencadeou uma crise energética quando a Europa interrompeu o fornecimento de gás russo por gasodutos.
Apesar dos danos causados por um míssil iraniano à sua unidade Pearl de conversão de gás em líquidos, no Qatar, que reduziram a produção, o conflito no Oriente Médio aumentou os lucros tanto da Shell quanto de suas concorrentes.