Ao longo de 17 dias, a cidade respira literatura e cultura, e os visitantes do evento podem desfrutar de uma programação que abrange mais de 700 atividades gratuitas. Este ano, a feira destaca-se pelo inédito protagonismo feminino. Pela primeira vez, as mulheres ocupam simultaneamente os postos mais importantes.
Na presidência da Câmara-Riograndense do Livro, entidade promotora do evento, está Roseni Siqueira Kohlmann. No patronato está a escritora, antropóloga e educadora Heloisa Pires Lima. Ao assumir o posto em 2026, Heloisa tornou-se a primeira mulher negra (e a segunda pessoa negra) eleita patrona em 72 anos de realização da Feira do Livro de Porto Alegre.
Para quem não sabe, o patrono é uma espécie de "entidade" que representa a feira e, por meio de sua trajetória, sintetiza os valores e ideais que os promotores desejam celebrar em cada edição. Ser eleito patrono da Feira do Livro significa ter reconhecida sua contribuição para a literatura, para a cultura e para a formação de novos leitores.
Nesse sentido, a escolha de Heloisa Pires Lima é muito importante e bastante simbólica num estado onde a população negra (21%) foi invisibilizada historicamente. Afinal, ela consagrou-se pela trajetória marcada pelo protagonismo negro na literatura infanto-juvenil.
Além disso, ter como patrona uma autora que se dedica à produção de livros voltados a crianças e jovens também demonstra a preocupação com a formação de novos leitores, o que é vital considerando que a leitura é um hábito que impacta a sociedade, a educação e o desenvolvimento nacional. Contudo, como destacou Heloísa, com quem conversei, "não adianta incentivar a leitura com livros racistas."
Livros racistas não merecem ser lidos.