Lipoaspiração melhora dor e mobilidade de mulheres com lipedema, diz estudo

A lipoaspiração pode aliviar a dor em mulheres com lipedema , uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, principalmente nas pernas e, mais raramente, nos braços. A conclusão é de uma pesquisa publicada

Por Admin ·

Lipoaspiração melhora dor e mobilidade de mulheres com lipedema, diz estudo

A análise acompanhou 410 mulheres com a doença durante 12 meses. Após esse período, 68% das participantes submetidas à cirurgia apresentaram redução de pelo menos dois pontos na intensidade da dor, em uma escala de zero a dez. Entre aquelas que continuaram apenas com o tratamento clínico conservador, a proporção foi de 8%.

Para chegar aos resultados, pesquisadores realizaram um ensaio clínico em 11 centros na Alemanha. Das 410 participantes, 278 foram submetidas à lipoaspiração associada ao tratamento clínico, enquanto 132 continuaram apenas com o tratamento conservador. Mas ainda não é possível dizer que o procedimento cirúrgico deve fazer parte do tratamento.

"O estudo representa um avanço importante ao demonstrar que a lipoaspiração pode reduzir substancialmente a dor e melhorar a qualidade de vida de mulheres com lipedema. Entretanto, os resultados precisam ser interpretados considerando os riscos, a falta de dados de longo prazo e as limitações da pesquisa", pondera a cirurgiã vascular Andressa Cristina Sposato Louzada, do Einstein Hospital Israelita.

A melhora da dor observada no estudo pode envolver diferentes mecanismos, alguns dos quais ainda não são totalmente conhecidos. "O tecido adiposo acometido apresenta alterações estruturais que podem estar associadas a inflamação, fibrose e modificações da microcirculação. A retirada de parte desse tecido pode diminuir a tensão sobre estruturas adjacentes e a sobrecarga mecânica dos membros, além de facilitar a movimentação", explica Louzada.

O lipedema é uma doença crônica que acomete predominantemente mulheres e pode surgir ou se agravar em períodos de alterações hormonais, como puberdade, gestação e menopausa. Além do aumento do volume dos membros, os sintomas incluem dor, hipersensibilidade ao toque, sensação de peso e facilidade para desenvolver hematomas. "Diferentemente da obesidade, na qual existe um aumento mais generalizado da gordura corporal, o lipedema apresenta uma distribuição característica, frequentemente desproporcional ao tronco", explica a cirurgiã vascular.

Embora algumas estimativas apontem que o lipedema possa atingir cerca de 10% das mulheres, ainda não há uma estimativa populacional oficial para determinar a prevalência real da doença. O diagnóstico é baseado na história clínica da paciente e no exame físico. "Exames de imagem podem ajudar a investigar outras doenças ou condições associadas, mas não existe um exame isolado capaz de confirmar o lipedema com precisão", diz Andressa Louzada.