A apóstola Valnice Milhomens, da Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo, apoiadora engajada do senador, profetizou que "não haverá inferno que impeça o mover de Deus nesta nação". A frase "vamos orar pelo Brasil" ecoou como código para pedir engajamento.
No centenário da Assembleia de Deus Madureira, no Maracanãzinho, o bispo Samuel Ferreira disse que pediria voto para Flávio Bolsonaro se pudesse e fez o público repetir "irmão vota em irmão".
Nenhum pastor de grande igreja vai admitir isso agora, enquanto a direita lambe as feridas e alimenta teorias conspiratórias, mas eles não queriam Flávio e jogaram parados durante quase toda a pré-campanha. A religião só entrou em campo em setembro, quando André Mendonça tornou públicas as mensagens entre Alexandre de Moraes e Vorcaro e o contrato do banqueiro com a mulher do ministro. Mendonça incendiou a disputa; os pastores vieram depois.
Quando Jair Bolsonaro anunciou o filho, Silas Malafaia disse em vídeos e entrevistas que candidatura "não é negócio de família" e defendeu Tarcísio. Em abril, na Assembleia de Deus Belém, Flávio recebeu a oração do pastor José Wellington e, no mesmo encontro, ouviu o deputado e pastor Marco Feliciano cobrar da família Bolsonaro reciprocidade com os evangélicos, em vez de uma relação de via única.
Para esses líderes, quem venceria Lula era Tarcísio. Flávio tinha mais chance de perder e, se eleito, comprometeria o projeto de poder da direita. Pesavam contra ele a mansão de R$ 6 milhões financiada pelo BRB, os imóveis pagos com dinheiro vivo, o dinheiro de Vorcaro para o filme sobre o pai e a mentira admitida sobre os encontros com o ex-banqueiro.
Em privado, pastores comparam a família Bolsonaro à de Eli, sacerdote do primeiro livro de Samuel. Eli, como Jair, seria um homem honrado que não soube educar e conter os filhos, que roubavam as ofertas do templo e cometiam atos imorais.