O filme em questão é "Uma Página de Loucura", de Teinosuke Kinugasa , diretor que décadas mais tarde realizaria o marcante "Portal do Inferno", de 1953 , impressionante pelo seu uso da cor.
Em 1926, Kinugasa, antes um ator especializado em papéis femininos, se juntou aos "neossensorialistas", grupo teatral de vanguarda que acreditava no mote "ver é mais importante do que compreender". O primeiro fruto dessa parceria é o inesquecível "Uma Página de Loucura".
Não faz muito sentido falar em trama com esse tipo de filme plenamente formal, mas vá lá —um homem vai trabalhar num manicômio somente para ficar perto de sua mulher, que foi internada.
A historiadora italiana Maria Roberta Novielli, autora de um belíssimo livro sobre cinema japonês, resumiu bem: "Kinugasa altera a continuidade narrativa racional encadeando e/ou ofuscando as demarcações entre os inumeráveis flashbacks e as alucinações, desviando assim a percepção do real e do tempo histórico".