A cena integra as 34 imagens de Leão Serva reunidas em "Caleidoscópio Xapiri Yanomami", exposição que será inaugurada na quarta-feira (28), no Museu da Imagem e do Som, o MIS, em São Paulo, e abre ao público no dia seguinte. A proposta é se aproximar da experiência dos xamãs, sem pretender mostrar os espíritos que, segundo a cosmologia yanomami, eles enxergam durante os rituais.
"Todas as minhas fotos são um clique", afirma o jornalista e fotógrafo. O recurso é a longa exposição, mas o resultado não é o borrão habitual de um objeto em movimento. "Um pedaço da mão está aqui, outro pedaço aqui, outro aqui", diz. "O retrato do movimento se dá de uma forma peculiar."
Serva já explorava esse efeito em 2017, quando morava na Inglaterra para fazer doutorado e fotografava cenas de museus. Os corpos deformados deram origem a uma exposição em Londres, em 2019, toda em preto e branco, que também explorava sua condição de estrangeiro. De volta ao Brasil, passou a procurar um assunto para experimentar a técnica em cores.