Nesta quarta-feira (4), policiais do 46º Distrito Policial de Perus, na zona norte da capital paulista, cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Santo Amaro, na zona sul, a partir de queixas de furtos em postos na região da delegacia, localizada no entorno das rodovias Anhanguera e Bandeirantes e do rodoanel Mário Covas.
Segundo o delegado Newton Fugita, titular do 46º DP e responsável pela investigação, foram encontrados cartões bancários, celulares e outros objetos que podem pertencer às vítimas.
As investigações, segundo ele, começaram em fevereiro, quando foram levadas malas que estavam dentro de um veículo estacionado em um posto de combustíveis próximo a Perus. Os objetos foram recuperados na época.
"Tivemos que analisar imagens de câmeras de segurança, foi uma investigação complexa", afirma, sobre a operação realizada nesta quarta.
De acordo com Fugita, olheiros observam a chegada dos veículos ao estacionamento de um restaurante, quando as vítimas paravam para ir ao banheiro ou comer. Com o dispositivo eletrônico, o bando impede o acionamento do alarme por controle remoto do carro, que permanecia destrancado.
"Uma das vítimas garante que trancou o carro, porque o veículo até fez aquele barulhinho de trancado", diz. O delegado afirma que, na sua região, os criminosos miram carros de famílias a passeio.
Mas esse tipo de crime tem se espalhado por outras regiões do estado e, no interior, há pessoas que tiveram seus notebooks levados enquanto viajavam a trabalho.
Entre os dias 20 e 27 de outubro, foram registrados oito furtos contra vítimas neste perfil em apenas um posto da rede Lago Azul no km 58 da rodovia dos Bandeirantes , em Jundiaí , segundo históricos de boletins de ocorrência aos quais a reportagem teve acesso. Em quatro relatos, as vítimas só deram falta dos objetos quando estavam longe do local.
Em uma das ocorrências, na noite do último dia 20, dois funcionários se deslocavam da zona norte de São Paulo para o centro de distribuição da empresa em que trabalham em Louveira, na região de Campinas , quando pararam por 45 minutos no restaurante do posto.
Ao chegarem à empresa no interior, perceberam que suas bolsas estavam leves e perceberam que os notebooks de cada um e um monitor portátil haviam sido furtados.
No mesmo dia, outra vítima disse à polícia que encontrou o veículo destrancado quando voltou, mas que inicialmente não sentiu falta de nada. Só notou o furto do notebook corporativo no dia seguinte, no escritório onde trabalha em Campinas.
No dia 27, outra pessoa afirma ter tomado o cuidado de tirar a bolsa com o aparelho do banco de trás do carro e colocá-la no porta-malas. Diz ter trancado o veículo, ido ao banheiro e tomado um café.
Percebeu que havia sido vítima da quadrilha quando foi descarregar o veículo em um hotel de Campinas. Há ainda o relato de uma mulher que só notou a ação quando chegou a Araraquara.
A reportagem ligou na tarde desta quarta-feira para o celular que consta no site da rede Lago Azul, mas ninguém atendeu. A Folha também fez questionamentos por email ao grupo, mas as perguntas não foram respondidas até a publicação deste texto.
Conforme relatos à reportagem, a empresa afixou avisos no estacionamento com alerta para as pessoas verificarem se o veículo foi efetivamente trancado. Também há câmeras de monitoramento.
Em setembro, a Polícia Militar Rodoviária prendeu duas pessoas devido ao rastreador de um dos equipamentos levados. Os suspeitos estavam no interior de um veículo com placas frias no próprio posto de combustível na rodovia Carvalho Pinto, em Caçapava, na região do Vale do Paraíba.
Não houve prisões na operação desta quarta-feira. Conforme a SSP (Secretaria da Segurança Pública), ao todo, oito viaturas e 16 policiais civis participaram da operação de busca e apreensão.
"Os investigados poderão responder por furto qualificado e associação criminosa. A Polícia Civil prossegue com as investigações para esclarecer a participação de cada envolvido nos crimes", diz a pasta.