"Sobre o novo governo, vamos permitir que nossos companheiros integrem o governo, mas sem submissão. A independência é o melhor caminho", afirmou Gilberto Kassab durante um evento do Dominium Group em Brasília.
O presidente do PSD também comentou a virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro ( PL ). Pela primeira vez na eleição brasileira, um candidato que largou atrás no 1º turno virou o jogo e venceu a eleição presidencial no 2º turno.
"Lula é um sênior da política às vésperas de se aposentar. O conhecimento sobre Flávio só ocorreu no 2º turno, quando os candidatos ficam expostos. Todos já conheciam quem é Lula", iniciou Kassab.
O PSD manteve a neutralidade após seu candidato, Ronaldo Caiado , ser derrotado no 1º turno. Foi uma postura única entre as grandes siglas do centrão, que aderiram a Flávio Bolsonaro no 2º turno. Nos bastidores, o partido alardeava a chance de vitória de Lula.
Nos bastidores, o PSD espera que a postura seja reconhecida por Lula com privilégio na partilha da Esplanada. No atual governo, o PSD comandou os ministérios da Agricultura, de Minas e Energia e da Pesca.
"Quem observava os trackings viu, desde o 1º turno, uma ascendência de Lula maior, numa curva lenta, e Flávio paralisado. A campanha do bolsonarismo de voto útil já levou os votos dos candidatos mais simpáticos a Flávio. O residual dos demais candidatos não queria ir com Flávio, nao era automático", comentou Kassab.
O presidente nacional do PSD também criticou a eleição para o Congresso e defendeu o voto distrital misto. Ele citou o caso de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que acumularam mais de 3 milhões de votos através de uma forte atuação digital, ajudando a eleger outros colegas de bancada.
"De 80% a 90% dos eleitores deles nunca os viram, nunca os encontraram, e nunca vão encontrá-los. Oitenta por cento das cidades onde eles foram votados eles nunca estiveram e nunca estarão. Isso faz com que não haja compromisso com a construção de projetos de políticas públicas melhores, e a gente acaba tendo um Congresso onde a prioridade é lacrar", reclamou.
O voto distrital misto é defendido pelo centrão, para evitar crescimento das bancadas com forte identificação ideológica, como é o caso do PL, que elegeu as maiores bancadas da Câmara e do Senado. O modelo atual, de eleição proporcional, favorece o crescimento de bancadas ideológicas.
No distrital misto, metade das vagas da Câmara para um estado ou em uma cidade são divididas em vários distritos eleitorais. O eleitor vota no candidato em seu distrito, e esse voto conta também para o partido, que tem uma lista pré-ordenada de candidatos. Ou seja: metade dos deputados são definidos por disputas locais e outra metade é definida pelas legendas.
"O PSD vai fechar questão pelo distrital misto, quem não votar vai ser convidado a deixar o partido", afirmou Kassab. Espera-se que o Congresso vote uma reforma eleitoral ainda este ano, antes de a nova bancada do PL assumir. O partido conquistou 121 cadeiras na Câmara e terá 29 representantes no Senado.