Justiça rejeita ação de Trump contra eleição no Alasca com candidatos homônimos

Uma juíza federal no Alasca rejeitou a ação do governo Donald Trump que contestava preventivamente o resultado da eleição para o Senado no estado. A disputa tem dois candidatos com o mesmo nome : o senador republicano que tenta a reeleição e outro homem que po

Por Admin ·

Justiça rejeita ação de Trump contra eleição no Alasca com candidatos homônimos

A ação do Departamento de Justiça foi apresentada em outubro, por ordem do presidente. Ela pedia que a Justiça bloqueasse a certificação do resultado em um cenário específico: se o senador Daniel S. Sullivan perdesse, mas tivesse vencido caso recebesse todos os votos dados a Daniel J. Sullivan, um professor aposentado.

Nesse cenário, o processo também exigia uma investigação para apurar se os eleitores que escolheram o professor queriam, na verdade, votar no senador . Não está claro como seria feita uma investigação sobre cédulas anônimas.

Especialistas em direito davam pouca chance de sucesso ao caso. A Constituição americana atribui o controle das eleições aos estados, e não ao governo federal.

Na decisão, divulgada na manhã deste domingo (1º), a juíza-chefe Sharon Gleason, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos no Alasca, reforçou o direito dos estados de conduzir suas eleições. Ela foi nomeada pelo ex-presidente Barack Obama.

Gleason escreveu não ver como a solução proposta pelo governo federal resolveria uma eventual confusão, nem como poderia funcionar. A proposta era separar as cédulas com voto em Daniel J. Sullivan e investigar se seus eleitores pretendiam votar no senador. Para a juíza, isso esbarra no sigilo do voto, princípio central da democracia americana.

Segundo ela, o governo federal "não contesta as preocupações sobre a preservação do sigilo do voto". Também não explica como a separação das cédulas e uma investigação policial ordenada pela Justiça sobre a intenção de determinados eleitores poderiam ser feitas sem violar esse sigilo.

O processo acusa Daniel J. Sullivan de tentar "enganar os eleitores do Alasca, fazendo-os acreditar que ele é o senador Sullivan". O professor aposentado já disse que votou nos democratas nas três últimas eleições presidenciais. Também afirmou ter votado em Mary Peltola, atual candidata democrata ao Senado, nas campanhas dela à Câmara em 2022 e 2024.

A ação destaca ainda que ele trocou a filiação de independente para republicano só quando registrou a candidatura. Aponta também que o site de sua campanha usa as mesmas cores do site do senador, azul-escuro e amarelo.

Uma investigação do New York Times revelou que um operador democrata ligado à campanha de Peltola e ao Comitê Democrata de Campanha para o Senado recrutou Daniel J. Sullivan. A candidatura fazia parte de um esforço mais amplo para lançar candidatos independentes e de terceiros partidos que pudessem tirar votos do senador.

O governador do Alasca, o republicano Mike Dunleavy, mandou abrir uma investigação criminal sobre a campanha de Peltola. Ao mesmo tempo, a Divisão de Eleições do estado, supervisionada pelo vice-governador, também republicano, combateu a ação civil do governo Trump.

Peltola e os democratas nacionais negam qualquer ligação com a candidatura de Daniel J. Sullivan. Eles entraram no processo como réus adicionais, ao lado da Liga das Mulheres Eleitoras.

Na defesa, os advogados do Alasca lembraram que tribunais estaduais já haviam rejeitado uma tentativa do próprio órgão eleitoral de retirar Daniel J. Sullivan da cédula. Afirmaram também que a cédula final foi desenhada para diferenciar os dois.

Nela, o senador aparece como "Dan S. Sullivan", com indicação do partido e da condição de atual ocupante do cargo. O outro aparece como "Daniel J. Sullivan Jr.", sem filiação partidária.

O Alasca também usa o voto por escolha ranqueada na eleição geral. Assim, eleitores confusos com a existência de dois Dan Sullivan poderiam simplesmente ranquear os dois.

Os advogados do estado e dos democratas também criticaram a solução proposta pelo governo federal: bloquear a certificação e separar as cédulas de Daniel J. Sullivan para investigação.

Gleason já tinha demonstrado ceticismo em relação ao caso em outubro, ao aceitar um rito acelerado. Naquela decisão, observou que a ação federal só foi apresentada depois que os eleitores do Alasca já haviam começado a votar. Além disso, veio quase quatro meses depois de a Suprema Corte estadual determinar a inclusão de Daniel J. Sullivan na cédula.