Justiça manda influenciadora excluir advogado de lista de boicote contra petistas

A Justiça de Minas Gerais determinou a remoção do nome do advogado E.L. de uma lista de boicote contra eleitores petistas organizado pela influenciadora digital Viviani Melo.

Por Admin ·

Justiça manda influenciadora excluir advogado de lista de boicote contra petistas

O advogado, que pede uma indenização por dano moral de R$ 20 mil da influenciadora, disse à Justiça estar sendo vítima de uma perseguição ideológica.

Segundo o processo, após a divulgação do resultado da eleição, Viviani se declarou publicamente inconformada e iniciou a lista de boicote em suas redes sociais.

Num dos vídeos divulgados, Vivini afirmou:

"Se houver vestígio de que a minha manicure é do PT, eu não vou fazer minha unha. Se houver vestígio que alguém que me ajuda é do PT, eu não vou aceitar", disse. "Então, se você votou no PT e eu descobrir, você não vai ter nem o meu oi."

Em outra publicação, ela afirmou: "eu não vou dar dinheiro para petista", declarou, justificando a lista de boicote .

Procurada pela Folha , a influenciadora, que utiliza o perfil @vivianishow no Instagram, disse que já contratou advogado e que vai se defender no processo.

Em um post no Instagram ela afirmou: Se o Flávio Bolsonaro soubesse o tanto de confusão que eu já arrumei defendendo ele [sic], eu ganhava até pensão".

Ao conceder a liminar, o juiz Eduardo Guastini afirmou que a utilização de ferramentas digitais para fomentar boicotes direcionados e constranger profissionais no exercício de suas atividades ultrapassa os limites do direito legítimo de crítica ou manifestação política

Segundo o magistrado, tal prática configura "abuso de direito e ofensa aos direitos da personalidade".

Caso não remova o nome do advogado da lista, a influenciadora está sujeita a uma multa de R$ 1.000 por dia até o limite de R$ 20 mil.

Após as eleições, listas como a da influenciadora foram divulgadas em diversas capitais e cidades do país. Empresários ouvidos pela Folha relataram ter recebido ameaças e mensagens hostis e dizem ter o receio de perder clientes. Alguns afirmaram que foram incluídos nas listas mesmo sem terem declarado seus votos publicamente.