Justiça aceita pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy

Empresa precisa reunir maioria dos credores em até 90 dias

Por Admin ·

Justiça aceita pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy

Juíza concedeu blindagem patrimonial à rede de lojas de brinquedos por 180 dias

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São Paulo A Justiça de São Paulo aceitou, na sexta-feira (23), o pedido de recuperação extrajudicial da Ri Happy. Na decisão, a juíza Taina Maria Leonardo De Oliveira também concedeu a proteção, por 180 dias, do patrimônio da empresa de brinquedos contra cobranças de credores. Segundo a magistrada, a blindagem patrimonial visa evitar cobranças individuais desordenadas que esvaziem a empresa ou inviabilizem o plano de recuperação.

Com quase 300 lojas no país e R$ 827,4 milhões em dívidas, o grupo Ri Happy Brinquedos, dono de marcas como Ri Happy e PBKids, pediu recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo no dia 18.

Apesar de ter concedido a recuperação extrajudicial, a juíza negou o pedido de consolidação substancial das empresas em recuperação. Esse procedimento ocorre quando a análise da recuperação trata o patrimônio e as dívidas do conglomerado em conjunto e os credores são agregados em uma única lista.

A negativa segue o posicionamento do Ministério Público , apresentado em 20 de outubro, contrário à unificação.

Segundo o órgão, pesa contra a consolidação substancial a informação, dada pelas recuperandas, de que as empresas New Toys, a PBKids e a Ri Happy têm focos distintos de atuação (importação, primeira infância e varejo amplo). A existência de dívidas cruzadas também não é suficiente para justificar a unificação patrimonial das companhias.

Por isso, a decisão seguiu a recomendação do MP e reconheceu apenas a consolidação processual. Nesse caso, as empresas podem pedir a recuperação em conjunto, mas a apuração do quórum de um terço e do quórum futuro deve ser feita de forma individual. A consolidação substancial ainda pode ser concedida após perícia.

A função de apurar os créditos e o plano apresentado pela Ri Happy será da empresa Cabezón Administração Judicial, nomeada administradora judicial do processo. Segundo a juíza, o tamanho da dívida (R$ 827 milhões), a quantidade de empresas e a dispersão geográfica das lojas justificam a presença de administradora.

Na petição à Justiça, o grupo diz representar cerca de 68% do segmento de brinquedos no país. A empresa atribui a crise à conjuntura macroeconômica, efeitos da pandemia, mudanças nos hábitos de consumo, alta carga tributária e a intensificação da concorrência externa.

A Ri Happy também afirma que a expansão das operações de plataformas como AliExpress e Shopee prejudicou o varejo de brinquedos no país. Segundo a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), importações de origem majoritariamente chinesa somaram 75,8% do total de brinquedos vendidos no Brasil em 2025.

Entre os principais credores do grupo estão o fundo Carlyle, com quase R$ 100 milhões em créditos, bancos como Banco do Brasil (R$ 94 milhões) e Santander (R$ 58,5 milhões), além de fornecedores como Mattel (R$ 54 milhões), Hasbro (R$ 50 milhões) e Sunny Brinquedos (R$ 42 milhões).

Unidades: 292 (204 próprias e 88 franquias)

Concorrentes: Armarinhos Fernando, AliExpress, Shopee