Neste episódio, a professora emérita da FFLCH-USP e uma das intelectuais mais importantes do país diz que o neoliberalismo tenta transformar todas as instituições sociais em empresas, além de reduzir as pessoas a empresárias de si mesmas, empobrecendo a nossa existência. Para ela, como a extrema direita está enraizada nessa ideologia, os dois combates precisam se combinar.
Chaui é conhecida por repetir o quanto odeia a classe média e diz aqui que essa é uma das coisas que passou a vida fazendo. A filósofa vê a classe média, em uma chave marxista, como a correia de transmissão dos valores que garantem o privilégio da burguesia e a dominação dos trabalhadores, justificando a exploração capitalista e sufocando os conflitos sociais —daí tanto horror.
Esses temas são discutidos no livro " Democracia e Populismo: a Nova Classe Trabalhadora " (Cortez), que também tem ensaios sobre as raízes do autoritarismo brasileiro e a subjetividade depressiva e narcisista do mundo digital.
Na entrevista, Chaui esboça uma interpretação da vitória de Lula ( PT ) no segundo turno das eleições, que ela atribui a uma avalanche de jovens que tomaram as ruas do país por perceber tanto os riscos da candidatura de Flávio Bolsonaro ( PL ) quanto os contornos do futuro do Brasil sob a extrema direita.
Vejo o resultado da eleição mais como a rejeição de um perigo muito grande de uma tomada da economia e do poder político pela extrema direita. Penso que isso ficou claro, sobretudo entre os jovens, porque foi um movimento de juventude no país inteiro, de uma só vez, como uma avalanche, que quebrou o risco da eleição de Flávio Bolsonaro