Jabuti revela democracia ou anarquia ao premiar livros tão díspares?

Veja só que coisa. Nesta terça-feira (27), a carioca Eliana Alves Cruz se tornou a primeira mulher negra a ganhar o prêmio Jabuti de melhor romance literário desde que essa categoria foi instituída.

Por Admin ·

Jabuti revela democracia ou anarquia ao premiar livros tão díspares?

Escritoras como Marilene Felinto —destacada como revelação por "Mulheres de Tijucopapo" em 1982—, Conceição Evaristo, Geni Guimarães e Djamila Ribeiro já venceram em outros campos, mas a conquista de Alves Cruz pela trama familiar de "Meridiana" é um marco importante.

Também inédito é o que aconteceu na eleição de "livro do ano". Pela segunda vez seguida, um dos maiores biógrafos brasileiros, Ruy Castro , saiu com a estatueta dourada. Isso nunca tinha ocorrido antes. Autores como Laurentino Gomes e Chico Buarque já levaram o prêmio máximo mais de uma vez, mas não em anos consecutivos.

Se o colunista da Folha ganhou no ano passado pelas crônicas de "O Ouvidor do Brasil" , sobre o maestro Tom Jobim, agora sai premiado por "Trincheira Tropical" , livro-reportagem de fôlego em torno da relação do povo carioca, seu tema predileto e inesgotável, com a Segunda Guerra Mundial.

Os três livros saíram pela Companhia das Letras —a última vez que um "livro do ano" do Jabuti foi publicado por outra editora foi em 2022.

Castro mesmo já havia levado o prêmio por suas biografias seminais de Mané Garrincha e Carmen Miranda, além do romance histórico "Os Perigos do Imperador" . No coquetel após a cerimônia, fãs do autor dividiam espaço com profissionais que se queixavam da vitória repetida.

Antes de continuar, é preciso lembrar como esses livros são eleitos. Um grupo de três jurados é encarregado de votar em cada uma das 23 categorias —neste ano, se abriu uma exceção para uma enquete popular no pleito dedicado a influenciadores digitais, que o advogado apelidado de Bookster recebeu das mãos do jogador de futebol Gustavo Scarpa .