O senador, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) nas eleições presidenciais do último domingo (25) e investigado por lavagem de dinheiro, fugiu para os Estados Unidos na madrugada de quarta (28), dois dias após ser notificado do cancelamento de seus passaportes pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
A convocação, revelada pelo UOL e confirmada à reportagem por um funcionário do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, ocorreu pela participação do governo ultraliberal na fuga . Na linguagem da diplomacia, a medida é uma forma de demonstrar descontentamento com outra nação.
O chanceler argentino, Pablo Quirno, nega a convocação. "Falso. Não houve nenhum pedido de explicação", afirmou o ministro de Milei em sua conta no X ao compartilhar uma reportagem do jornal La Nacion. Em seguida, o próprio Milei compartilhou a publicação de Quirno dizendo que o jornal argentino mente.
O membro do Itamaraty com quem a reportagem falou, porém, afirma que o embaixador brasileiro João Marcelo Galvão de Queiroz recebeu a funcionária de Milei para falar sobre a passagem do senador pelo território argentino, algo que também está sendo alvo de questionamentos internos no país vizinho.
De acordo com a imprensa argentina, Santiago Caputo, estrategista político e braço direito de Milei, esteve em Puerto Iguazú para ajudar Flávio , e o transporte do senador teria sido auxiliado por uma camionete com chapa diplomática. Ao chegar aos EUA, o senador divulgou uma carta agradecendo o aliado pela "coragem, justiça e senso de legalidade".
Na quarta, quando a fuga foi confirmada, o órgão de migrações argentino afirmou que Flávio e sua família ingressaram "com documentação de viagem válida e sem qualquer impedimento legal para a entrada no país". O senador não entregou seus passaportes brasileiros à Justiça brasileira no prazo e usou seu documento italiano para entrar em Puerto Iguazú pela ponte internacional Tancredo Neves.
Questionado pela imprensa sobre o assunto nesta quinta, o chefe de gabinete de Milei, Diego Santilli, repetiu a argumentação da entidade: "Não havia impedimento da Interpol", afirmou em um evento em Rosario, em referência à Organização Internacional de Polícia Criminal.
As digitais do governo Milei na fuga, no entanto, levou deputados e senadores da oposição a apresentarem diversas iniciativas para pressionar o presidente, incluindo pedidos de esclarecimentos, convocações de ministros e até mesmo uma denúncia penal contra o ultraliberal, seu chanceler, a ministra de Segurança, Alejandra Monteoliva, e Caputo.
Uma dessas iniciativas foi de autoria de Marcela Pagano, ex-correligionária de Milei. Na quarta, a deputada apresentou uma denúncia à justiça de Puerto Iguazú pelos supostos delitos de tráfico ilegal de pessoas, abuso de autoridade e descumprimento dos deveres do funcionário público durante o ingresso de Flávio à Argentina.
O Tribunal Federal de Misiones, província onde fica Puerto Iguazu, arquivou a denúncia nesta sexta, em menos de 48 horas. O procurador federal Fabián Ramírez concluiu que não havia delito após receber relatórios da Interpol e do órgão de migrações argentino, e sua decisão foi seguida por uma colega, levando ao arquivamento definitivo da denúncia.
Itamaraty convoca diplomata de Milei após fuga de Flávio pela Argentina
O Itamaraty disse ter convocado, nesta quinta-feira (29), a encarregada de negócios da Argentina em Brasília, María Emilia Cortés, para prestar esclarecimentos pela atuação do governo de Javier Milei na fuga de Flávio Bolsonaro ( PL ). O ultraliberal nega que