Israelenses vão às urnas em níveis recorde em eleição que decide futuro de Netanyahu

Israelenses foram às urnas em níveis recorde nesta terça-feira (27), na eleição legislativa que decide se o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu continua no poder. Às 14h no horário local, oito horas antes do fechamento das seções, perto de

Por Admin ·

Israelenses vão às urnas em níveis recorde em eleição que decide futuro de Netanyahu

O número reflete a importância atribuída ao pleito . Netanyahu enfrenta uma disputa acirrada na primeira eleição desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, com um eleitorado profundamente dividido. Ao depositar seu voto em Jerusalém, pediu que os israelenses votem "do jeito certo".

O dia foi marcado por tensão. Um homem armado com uma faca foi preso pela polícia de Tel Aviv depois de avançar de forma ameaçadora contra Yair Golan, líder do principal partido de esquerda de Israel .

"Incitação e violência não nos intimidarão", disse Golan em nota. Ele atribuiu o episódio à "máquina de veneno" do premiê Binyamin Netanyahu, que lidera o governo mais à direita da história do país e tenta manter-se no poder.

Segundo os Democratas, partido de Golan, o político tentava incentivar eleitores a ir votar (o voto não é obrigatório no país) em um parque quando um desconhecido o abordou em tom ameaçador. Os seguranças de Golan impediram a aproximação do homem, e uma grande faca caiu de suas roupas, acrescentou a legenda. Em seguida, os agentes de segurança o detiveram.

A polícia confirmou a prisão e o porte da faca. Disse que o suspeito é morador de Jerusalém e tem pouco mais de 20 anos.

Golan, general da reserva que ganhou projeção ao resgatar pessoas durante os ataques do Hamas em 2023, lidera o partido Democratas, partido formado pela união entre o Trabalhista e o Meretz, de esquerda.

Ele integra uma aliança eleitoral com candidatos da oposição liderados pelo ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Gadi Eisenkot, mas defende posições mais à esquerda. Golan é o único candidato de um dos principais partidos israelenses que ainda apoia uma solução de dois Estados para o conflito com os palestinos. Ele também defende posições liberais em questões sociais, como a igualdade de direitos para a população LGBTQIA+.

Principal adversário de Netanyahu, Eisenkot pediu aos eleitores que derrubem o "pior governo" da história do país. "Convoco todos os cidadãos de Israel a votar, a não ceder ao calor nem aos transtornos, a manter a missão: substituir hoje à noite o pior governo desde a fundação do Estado", afirmou.

Netanyahu, por sua vez, voltou a atacar os partidos árabes. Após votar, disse que "eles estão tentando roubar a eleição", em referência a relatos de que pessoas haviam sido detidas com envelopes de dinheiro.

Ao longo da campanha, o premiê usou as legendas árabes para alimentar o temor de um Estado palestino. Nesta terça, afirmou que três dirigentes do partido religioso árabe muçulmano israelense Raam foram presos no sul do país com envelopes cheios de dinheiro.

"Não podemos deixar essa batalha nas mãos da esquerda e dos partidos árabes, que querem pôr fim ao Estado judeu", disse. "Então, nada de churrasco, nada de praia: vá à seção eleitoral e vote no Likud."

Embora pequeno, o Raam pode ter papel decisivo na formação de uma coalizão liderada pela oposição se o resultado for tão apertado quanto o esperado.

O diretor-geral interino da Comissão Central Eleitoral, Dean Livne, chamou o caso de "incomum", durante uma conversa com jornalistas nesta terça. Segundo ele, a polícia deteve pessoas suspeitas de tentar subornar eleitores antes mesmo da chegada de votantes aos locais de votação.

Livne afirmou que os suspeitos, cujas identidades não foram divulgadas, não estavam dentro de seções eleitorais e foram detidos perto de suas residências. O caso está sob investigação. "Não há registros de episódios semelhantes em outras partes do país. Foi um caso localizado", disse.

Partidos de oposição, incluindo o de Eisenkot, reclamaram que cédulas estavam sendo rasuradas e furtadas em locais de votação. A Comissão Eleitoral disse, segundo o Times of Israel, que não há indícios de adulteração sistemática e que as denúncias estavam sendo apuradas.