O texto afirma que Trump retoma uma tradição intervencionista da Guerra Fria , abandonada em grande parte por governos americanos nas últimas décadas, e classifica a postura como prejudicial à democracia e aos interesses dos próprios EUA.
O editorial cita medidas adotadas pelo governo Trump contra o Brasil, como a imposição de tarifas de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros em 2025 e sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, em uma tentativa de pressionar o país após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro ( PL ) por tentativa de golpe.
O jornal americano também menciona o apoio de Trump a candidatos de direita em outros países e afirma que suas ações favorecem políticos com tendências autoritárias.
O texto recupera ainda a participação dos EUA no golpe militar de 1964 no Brasil e argumenta que a redemocratização do país foi positiva para a comunidade internacional. Segundo o conselho editorial do NYT, ao tentar influenciar o voto de eleitores estrangeiros e pressionar governos democraticamente eleitos, Trump enfraquece a imagem dos EUA como defensor da democracia e reduz a influência internacional do país.
Os Estados Unidos têm um histórico problemático de interferência em eleições estrangeiras, em grande parte durante a Guerra Fria. Nas últimas décadas, porém, Washington passou a respeitar mais as outras democracias e, em geral, evitou intervir em suas campanhas eleitorais. Presidentes e seus assessores raramente chegaram a manifestar preferência sobre quem deveria vencer uma eleição em outro país.
O presidente Donald Trump está levando os Estados Unidos de volta ao passado intervencionista e contraproducente. Nos últimos dois anos, ele ou integrantes de seu gabinete endossaram candidatos na Argentina , na Colômbia , em Honduras , na Hungria , em Israel , no Japão e na Polônia . Em alguns casos, o governo Trump foi além e recompensou os candidatos de sua preferência com políticas favoráveis ou puniu países governados por políticos que deseja tirar do poder.
O exemplo mais recente é o Brasil, onde os eleitores escolherão neste domingo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um populista de esquerda, e Flávio Bolsonaro , senador da direita radical cujo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cumpre pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe após perder a última eleição.