Intel supera expectativas no trimestre, mas prevê desaceleração

A Intel registrou receita de US$ 16,51 bilhões no terceiro trimestre de 2026, um crescimento de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado superou ligeiramente as expectativas dos analistas, assim como o lucro ajustado por

Por Admin ·

Intel supera expectativas no trimestre, mas prevê desaceleração

A Intel registrou receita de US$ 16,51 bilhões no terceiro trimestre de 2026, um crescimento de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado superou ligeiramente as expectativas dos analistas, assim como o lucro ajustado por ação, que chegou a US$ 0,52. Apesar do desempenho, a fabricante de semicondutores prevê uma desaceleração nos resultados do quarto trimestre, principalmente devido à fraqueza do mercado global de computadores pessoais (PCs).

O avanço da receita foi acompanhado por um crescimento expressivo dos negócios ligados a data centers e inteligência artificial (IA), que tiveram alta de 78% na comparação anual. Já a divisão de computação para clientes e IA física apresentou queda de 5%, refletindo as dificuldades enfrentadas pelo mercado de PCs. A empresa espera que essa desaceleração continue pelo menos durante o primeiro semestre de 2027.

Data centers e IA impulsionam os resultados

Entre julho e setembro, a receita da Intel alcançou US$ 16,51 bilhões, acima dos US$ 16,5 bilhões esperados por analistas consultados pela LSEG. O lucro ajustado por ação foi de US$ 0,52, também superior à projeção de US$ 0,40. Um ano antes, a companhia havia registrado receita de US$ 13,7 bilhões.

O principal destaque foi a divisão de data centers e IA, cuja receita avançou 78%, chegando a US$ 7,3 bilhões. A expansão está relacionada à demanda por capacidade computacional para executar aplicações de inteligência artificial.

A Intel também tem se beneficiado do crescimento da chamada IA agêntica, que envolve sistemas capazes de coordenar tarefas. Enquanto chatbots e grandes modelos de IA dependem fortemente de unidades de processamento gráfico (GPUs), aplicações como o Muse, da Meta, e o Dots, da OpenAI, utilizam processadores centrais (CPUs) para organizar tarefas e dados em computadores que operam na nuvem.

Em sentido contrário, a divisão de computação para clientes e IA física registrou receita de US$ 8,1 bilhões, uma redução de 5% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O resultado ficou abaixo das estimativas.

Segundo a Counterpoint Research, os embarques globais de PCs caíram 4% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior. O recuo ocorreu em meio à alta dos preços de memórias e de outros componentes.

Intel prevê resultados mais fracos no fim do ano

Para o quarto trimestre de 2026, a fabricante projeta lucro ajustado de US$ 0,25 por ação e receita entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões. As estimativas dos analistas eram de US$ 0,43 por ação e US$ 17,1 bilhões em receita.

David Zinsner, diretor financeiro da Intel, afirmou que a fraqueza do mercado de PCs deve persistir pelo menos até a primeira metade de 2027. Segundo ele, a empresa pretende manter investimentos disciplinados em capacidade produtiva e capital de giro para ampliar a oferta e apoiar o crescimento futuro.

O CEO Lip-Bu Tan, por sua vez, declarou que a companhia continua observando demanda robusta por CPUs e por suas plataformas de computação no longo prazo, apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor de PCs no curto prazo.

Fabricação de chips segue entre as prioridades

A Intel também busca ampliar sua atuação na fabricação de semicondutores para outras empresas, atividade conhecida como foundry. A companhia iniciou a produção em alto volume de seu processo mais avançado, o 18A, em uma nova fábrica no Arizona.

A instalação oferece uma alternativa à Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). A Intel ainda é a única grande cliente de sua tecnologia 18A, mas analistas apontam a possibilidade de que um grande fabricante de chips sem fábricas próprias escolha a empresa para produzir componentes com o processo 14A.

A expansão industrial também inclui uma fábrica em Ohio, onde equipes instalaram a primeira treliça estrutural na semana anterior à divulgação dos resultados. O projeto tinha previsão original de entregar chips em 2025. Outra fábrica no Arizona deve começar a operar até o fim de 2028.

No campo comercial, a Oracle anunciou nesta semana que utilizará os processadores para servidores Xeon de próxima geração da Intel, além dos sistemas em escala de rack mais recentes da Nvidia e da AMD, para ampliar sua capacidade de data centers.

A Intel concluiu ainda, em agosto, uma oferta de ações de US$ 23 bilhões. No ano anterior, o governo Trump adquiriu uma participação de 10% na empresa, enquanto Nvidia e SoftBank também fizeram investimentos bilionários na fabricante.