A proporção da população que vivia abaixo da linha de pobreza de US$ 4,20 (R$ 23,1) por dia, referência para países de renda média-baixa, caiu de 57,7% para 16,1% no período. Com isso, pouco menos de meio bilhão de pessoas superaram esse limite. A redução foi ainda mais acentuada na faixa de pobreza extrema, definida como renda inferior a US$ 3 (R$ 16,5) por dia: o percentual recuou de 27,1% para 2,6%, segundo relatório publicado neste mês.
O resultado foi "impulsionado principalmente pelo forte crescimento do consumo, pelo aumento do emprego, sobretudo entre as mulheres, e pela ampliação das transferências sociais, incluindo subsídios para alimentos", escreveram economistas do Banco Mundial especializados em pobreza no sul da Ásia , liderados por Ayago Wambile.
Embora o número de pessoas empregadas tenha aumentado em cerca de 134 milhões entre 2017 e 2023, as disparidades salariais "permanecem acentuadas", afirmaram os economistas. Em 2023, a remuneração mediana dos 10% mais bem pagos era cerca de 13 vezes maior que a dos 10% com os menores rendimentos. O relatório também apontou uma alta recente no desemprego entre os jovens, de 14,6% no trimestre de abril a junho do ano passado para 15,9% no mesmo período deste ano.
As conclusões do relatório estão alinhadas à perspectiva otimista do Banco Mundial para a Índia, a principal economia de maior crescimento no mundo, e ocorrem em meio a uma onda recente de protestos estudantis nas ruas, que representa um dos maiores desafios até agora ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
No início deste mês, o Banco Mundial elevou sua previsão de crescimento para a Índia a 7,1%, afirmando que o desempenho dos setores industrial e de serviços ajudará a economia a enfrentar uma monção mais fraca e os preços elevados da energia.
As futuras reduções da pobreza no país, porém, devem ocorrer em ritmo mais lento. O Banco Mundial estima que a parcela da população indiana abaixo da linha de US$ 4,20 (R$ 23,1) por dia cairá de 14,2% em 2026 para 12,1% em 2028.