iFood vai à Justiça contra Keeta por preço predatório e prática anticompetitiva

Plataforma diz que rival usa dinheiro da matriz na China para bancar promoções e opera em déficit no Brasil

Por Admin ·

iFood vai à Justiça contra Keeta por preço predatório e prática anticompetitiva

OUTRO LADO: Keeta afirma que o processo é estratégia do iFood para se manter dominante no setor

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São Paulo O iFood entrou com ação na Justiça contra a Keeta —da chinesa Meituan— por práticas anticompetitivas. O aplicativo acusa a rival de praticar preços predatórios , com a operação financiada por recursos da matriz na China para atrair clientes e sufocar a concorrência.

A ação também alega aliciamento de restaurantes exclusivos do iFood, com uso de incentivos para quebra de exclusividade e acesso a dados confidenciais . Segundo alega no processo, a empresa quer combater uma prática de involução de mercado conhecida na China como neijuan, que teria provocado o fechamento de 1,61 milhão de estabelecimentos naquele país em 2025.

Em nota, a Keeta diz tratar-se de estratégia do iFood para manter posição dominante no setor . "A Keeta, como marca que entrou há um ano no mercado local, bloqueado por cláusulas de exclusividade e de banimento, está trazendo mais oportunidades para restaurantes, entregadores parceiros e consumidores", afirma.

O processo foi distribuído à 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem de São Paulo. Há uma denúncia paralela tramitando no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Na ação, o iFood afirma que a estratégia reproduz práticas adotadas pela controladora chinesa Meituan em outros mercados. Segundo a empresa, a Keeta oferece preços, comissões e incentivos abaixo dos custos, sustentados por aportes da matriz, para conquistar mercado e eliminar concorrentes.

A plataforma também afirma que os descontos criam uma demanda artificial, que pode desaparecer quando os subsídios forem reduzidos, deixando restaurantes com menos vendas, consumidores sujeitos a preços mais altos e entregadores com menos trabalho.

O processo cita o caso de Hong Kong, onde a Keeta teria subsidiado a operação e distribuído cupons até levar a Deliveroo, principal concorrente, a deixar o mercado. Após a saída da rival, segundo o iFood, a empresa elevou as comissões dos restaurantes de 15% para cerca de 35%, cortou os subsídios e reduziu a remuneração dos entregadores.

Para sustentar os argumentos, o iFood diz que a Keeta teve déficit no Brasil. A empresa iniciou suas operações no Brasil em outubro de 2025, em São Vicente e Santos, no litoral paulista, e chegou à capital em dezembro do mesmo ano.

Desde então, passou a oferecer cupons de até R$ 200 em São Paulo, descontos de até 60%, entrega gratuita, ressarcimento automático por atrasos e comissões de 9,9% sobre os valores repassados aos restaurantes.

A receita líquida, até então, tem sido negativa, diz o iFood, que também acusa a concorrente de montar uma equipe com ex-funcionários da plataforma para abordar restaurantes com contratos de exclusividade.

A petição inclui gravações de áudio nas quais um gerente da Keeta teria admitido que a equipe foi criada para buscar esses estabelecimentos e a companhia estaria disposta a ajudar no pagamento de multas pela quebra dos contratos. O iFood afirma ainda que houve tentativa de obter informações comerciais protegidas por cláusulas de confidencialidade.

A ação pede que a Justiça proíba a Keeta de praticar preços abaixo dos custos e de oferecer vantagens para que restaurantes rompam contratos de exclusividade, além de impedir o uso não autorizado de informações confidenciais.

O iFood também solicita indenização por danos materiais e multa de R$ 200 mil por danos morais. O aplicativo pede uma perícia econômico-financeira para avaliar o volume de subsídios concedidos pela rival.

Em seu posicionamento à Folha , a Keeta afirma que o iFood tem cerca de 80% do mercado brasileiro e tenta impedir a entrada de concorrentes para preservar sua posição dominante. A empresa diz estar presente em 32 cidades e afirma que os cupons são uma prática comum no setor, utilizada inclusive pelo iFood.

Segundo a plataforma chinesa, as promoções ajudam a atrair consumidores e ampliar as oportunidades de negócios para restaurantes e entregadores.

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Esta é uma estratégia clara da plataforma monopolista para manter sua posição dominante no setor, atacando uma empresa entrante que busca fomentar um mercado competitivo em benefício de todo o ecossistema de entrega de comida: restaurantes, entregadores parceiros e consumidores. Com cerca de 80% de participação de mercado no Brasil, a plataforma dominante — que consolidou sua posição no país por meio de uma estratégia agressiva de cláusulas de exclusividade impostas aos restaurantes, e que sufocou os concorrentes — agora tenta minar a capacidade de uma empresa entrante de competir minimamente, e trazer para o país tecnologia de ponta e experiência de mais de 15 anos de presença global em entrega de comida. E, dessa forma, tenta também desviar a atenção das autoridades da investigação do CADE que enfrenta atualmente por descumprimento do acordo assinado com a autarquia referente a cláusulas de exclusividade e outras práticas indevidas que prejudicam gravemente o setor. O Brasil é o único mercado do mundo dominado por um monopólio dessa proporção no segmento de entrega de refeições. A Keeta, como marca que entrou há um ano no mercado local, bloqueado por cláusulas de exclusividade e de banimento, está trazendo mais oportunidades para restaurantes, entregadores parceiros e consumidores — e, ao tentar impedir a competição, a plataforma dominante suprime esses benefícios e mantém o mercado local refém de um serviço mais caro e de menor qualidade. Presente em apenas 32 cidades, incluindo 1 região metropolitana (São Paulo), a Keeta usa cupons para incentivar a experimentação inicial pelos usuários e garantir que os consumidores tenham uma opção de mais qualidade para entrega de comida no Brasil, permanecendo na plataforma por sua previsibilidade e experiência. O uso de cupons é uma prática comum de mercado, aplicada por todas as empresas, incluindo o próprio iFood. O setor brasileiro de entrega de comida continua disfuncional e precisa com urgência de decisões que promovam um mercado justo e competitivo, viabilizando um crescimento sustentável, com mais oportunidades para restaurantes e entregadores, preservando a escolha do consumidor e acelerando a inovação.